Moscou (1° dia): um roteiro a pé pela capital russa

Quem viaja muito ou mora em cidades turísticas deve ouvir com frequência perguntas do tipo: “O que é imperdível em tal lugar?”, “Como faço pra visitar todos os pontos importantes da cidade em dois dias?”. Ou ainda: “Você pode fazer uma lista dos lugares não-turísticos que eu tenho que ver?” e “Quanto tempo você acha que eu devo ficar em ….?

Bem, como sei que vão continuar me fazendo as mesmas perguntas, resolvi aproveitar a viagem Transiberiana para dar dicas da primeira cidade do trajeto – Moscou!!!

Muito gente chega à capital russa achando que vai encontrar a União Soviética aqui, mas acaba se deparando com uma cidade enorme (15 milhões de habitantes) e com uma aparentemente imparável vocação para o consumo. Para os mochileiros da Transiberiana, pode assustar. Além disso, Moscou sempre aparece nos noticiários como uma das cidades mais caras do mundo. Será que isso é verdade? Tem como aproveitar a capital russa gastando pouco? Claro que sim. Estas listas levam em conta a vida dos expats e os preços (astronômicos) dos aluguéis na cidade. Não é o seu caso. Desfrute.

O primeiro post de Moscou vai cobrir os pontos básicos do centro da cidade a pé. Do ponto 1 até o ponto 10 são apenas 5km. Coloque tênis confortáveis e comecemos a caminhada.

Mapa centro Moscou 2 (editando)

1) Teatro Bolshoi

Acorde cedo (se o jet lag permitir) e pegue um metrô para a estação Teatralnaya. Tente chegar antes das 10 da manhã. A primeira coisa que você vai ver é o famoso teatro Bolshoi, onde o Lago dos Cisnes teve a sua première em 1877 (a apresentação foi um fiasco, por sinal). O Teatro Bolshoi é o mais importante palco de balé do mundo, mas tem se envolvido em histórias no mínimo curiosas. Depois de seis anos fechado para uma reforma que foi um “pouco” mais cara que o planejado, o teatro voltou às manchetes no início deste ano, quando o diretor artístico Sergey Filin foi atacado nas ruas de Moscou com ácido. Conversei em Moscou com uma das ex-bailarinas do Bolshoi e ela rasgou o verbo (“O Teatro Bolshoi está virando um grande prostíbulo”, diz bailarina http://osbrics.com/2013/04/05/o-teatro-bolshoi-esta-virando-um-grande-prostibulo/

Para comprar ingressos, é importante que você se organize com muita antecedência porque esgotam rapidamente. As vendas abrem três meses antes e basta se registrar no site do Bolshoi. Para o bem de todos e a felicidade geral da nação, o site também está em inglês: http://www.bolshoi.ru/en/

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2) Praça Vermelha

Do Bolshoi, siga o mapinha e ande para a Praça Vermelha, que fica logo ao lado. Sei que todo mundo vai querer tirar mil fotos – pulando, deitado, de costas, de ladinho, papai-mamãe (ops, isso não é um conto erótico) –, mas sugiro ir direto para o Mausoléu do Lênin, que fica aberto apenas entre 10h e 13h (fechado segunda e sexta). É de graça pra entrar, mas você vai ter que deixar a câmera perto da entrada (e custa uns rublozinhos). Não pode parar, olhar, dar tchau pro camarada nem fazer movimentos bruscos dentro do mausoléu. Parece bobagem, mas é bom avisar. Um amigo meu levou uma bronca “só” porque estava com a mão no bolso. Resumo: todo respeito é pouco. A visita vai durar dois minutos (se você tiver sorte e tiver uma fila lenta).

Terminada a visita ao mausoléu, volte para aproveitar todos os ângulos da Praça Vermelha, aquela que tantas vezes vimos nos livros de história.

Na parte norte da Praça, vê-se o Museu de História (o edifício vermelho). Acho muito legal, mas não pro primeiro dia. Tire fotos, dê uma voltinha, mas siga o passeio pra pequena igreja que você vê logo ao lado do museu. É a Catedral de Kazan, uma réplica construída em 1993, já que a original (de 1636) foi destruída. Dizem que derrubaram a igreja do século XVII porque ela impedia a passagens dos trabalhadores para a celebração do dia 1° de Maio.

Siga para o shopping GUM (ГУМ, em russo), que foi transformada de armazém soviético em um templo de lojas chiques e caras. Como você é turista, entre sem receio. Posso ir de Havaianas? Claro que sim. Um cafezinho não vai custar mais de cinco reais no segundo andar. Sente-se e relaxe porque o principal está por vir.

Os mais de 10 mil km e muitos mil reais que você gastou para estar aqui vão ser recompensados agora – Igreja de São Basílio (aquela que todo mundo diz que parece um sorvete). Moro em Moscou há quase quatro anos e sempre que vejo estas cúpulas coloridas, eu me emociono. A visita é imperdível. A São Basílio foi construída entre 1555 e 1561, para celebrar a conquista de Kazan por Ivã, o Terrível. A entrada custa 100 rublos (R$6,60 – metade para estudantes) e funciona de quarta a segunda, 11h-17h.

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3) Ponte Moskvoretsky – cruzando o rio

Seguindo pela parte de trás da São Basílio, você vai ver a ponte Moskvoretsky. Cruze esta ponte e aproveite para tirar fotos muito legais do Kremlin (o complexo amuralhado, com torres, que você consegue ter um panorama agora). Acho que é um dos melhores ângulos da cidade. Desça pela escadinha pra cair direto na calçada às margens do rio Moscou.

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4) Ponte Bolshoy Kamenny

Desta ponte você tem uma outra vista muito bonita do Kremlin. É logo a primeira quando você vem caminhando da ponte anterior. Suba para tirar algumas fotos, mas volte para seguir margeando o rio.

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5) Ponte  Patriarshy

Desta ponte, você vai chegar direto à Catedral Cristo Salvador, mais conhecida agora como Catedral Pussy Riot. Sim, foi aqui onde as meninas do grupo punk encenaram ilegalmente uma crítica ao Putin no altar, em março de 2012, e foram condenadas a dois anos de cadeia. Críticas ao autoritarismo russo vieram de todas as partes. Como se o Kremlin se preocupasse muito com críticas… A catedral foi construída há pouco mais de 15 anos, em 1997, para a celebração do 850° aniversário da cidade de Moscou. Mas a obra teve algumas polêmicas. 1) estima-se que o gasto para a construção do templo tenha chegado a 10 bilhões de rublos (700 milhões de reais). E tudo foi feito em apenas dois anos, em uma época de crise no país – crise esta que teve seu ápice em 98; 2) o arquiteto responsável por parte da obra, Zurab Tsereteli, é um velho conhecido dos moscovitas por sua megalomania e um gosto duvidoso (já falaremos dele). 3) antes da catedral, havia no local a maior piscina do mundo.

Só lembrando que esta catedral é até hoje alvo de críticas porque funciona quase como um centro comercial. Amém. (Corrupção Ortodoxa – em inglês http://www.aljazeera.com/programmes/peopleandpower/2013/02/2013267215745877.html)

Dando mais uma voltinha perto da ponte, você vai ver não muito longe a estranha estátua de um cara num barco. Este é Pedro, o Grande, feito pelo já mencionado Tsereteli. O arquiteto era o queridinho do anterior prefeito, Iuri Lujkov, que ficou vinte anos no poder. A estátua de Pedro tem 94,5m de altura e é odiada por 11 de cada 10 moscovitas. A primeira pergunta é “Por que homenagear Pedro em Moscou se foi ele que transferiu a capital para São Petersburgo, a rival do norte?”. Diz a lenda que Tsereteli havia dado de presente para os Estados Unidos uma estátua de Cristóvão Colombo, mas cinco cidades americanas recusaram o mimo. E as más-línguas falam que o tal Colombo foi modificado, virou Pedro, o Grande, e acabou ficando na Rússia. É feio, convenhamos.

Pedro

6) Casa Pashkov

Quando você sair da igreja, atenção para pegar a rua correta. Você tem que procurar a saída que dá para a rua Volkhonka ou então perguntar pelo Museu Pushkin (Volkhonka, 14). Você não vai visitar o museu (hoje), mas esta é a direção que você tem que tomar. Ande pela calçada da esquerda, passando bem em frente ao museu. Quando a rua se abrir em uma enorme praça, você vai ver à esquerda uma mansão neoclássica branca com telhadinho verde. Esta é uma das construções mais bonitas de Moscou, na minha humilde opinião. A casa foi construída na segunda metade do século XVIII e é descrita no clássico “O Mestre e a Margarida”, do escritor Mikhail Bulgakov. Diz a lenda que Pashkov recebeu uma “despromoção” militar e resolveu construir a casa com a parte de trás dando pra frente do Kremlin, como uma maneira de protestar ou provocar. Por conta disso, o que você vê da rua, vindo do Kremlin, é a traseira (ou o traseiro) da mansão.

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7) Almoço

Sim, mochileiro também come. As opções são muitas, mas eu recomendo:

– Taras Bulba (restaurante ucraniano): rua Mokhovaya, 8. É um restaurante bastante conhecido dos moscovitas. Há varios na cidade e este é frequentado por pessoas do governo e businessmen que trabalham na região. Ah! E turistas, claro. Fica quase em frente à Casa Pashkov, mas do outro lado da rua. Preço: com 1000 rublos (R$ 65) você vai comer entrada, um principal bacana, beber algo e ainda deixar gorjeta. http://tarasbulba.ru/main-menu.html

Restaurante Ucraniano

Taras Bulba

– Eat and Talk: rua Mokhovaya, 7. Fica do outro lado da rua, depois um pouco da biblioteca gigante que você vai ver à esquerda. O restaurante está dentro de uma galeria. Fique atento aos sinais na rua. Comida boa, com preço bem bacana. Não tem o apelo tradicional do Taras Bulba, mas pra quem não quiser arriscar e preferir pedir pizza, noodles, sushi ou algo menos incrementado, esta é uma boa pedida. Preço: 800 rublos para entrada, principal e bebida. http://eng.eattalk.ru/

– Cantina da biblioteca (em russo “stolovaya”): este é para o mochileiro mais radical (tipo eu!!). Isso sim é tradicional! Comida feita por russos para russos. E super mega ultra barato. Tem gosto de comida da avó e é frequentado por estudantes, aposentados e trabalhadores da biblioteca. Consiste em um bufê onde você vai escolhendo os pratos. Preço: 200 rublos (R$ 13!!!!) e você vai comer bem e tomar um suquinho (nada de álcool aqui!). Mais detalhes da cantina no próximo ponto, quando falo sobre a biblioteca.

8) Biblioteca Lênin

De fora o edifício talvez nem impressione muito, mas recomendo que você visite o interior. Na segunda entrada (à direita de quem vem da estátua de Dostoiévski, em frente à biblioteca), você vai fazer seu cartão de visitante. Só precisa dizer “turist” e ele vão te explicar (em russo) o que fazer. Finja que entendeu, preencha o formulário e pronto. É de graça. Volte para a entrada principal (a porta é super pesada; não pense que está fechada), passe por mil controles para deixar a mochila e casaco. Agora é só visitar a biblioteca. Após subir as escadas principais, siga no corredor central até o final e suba mais escadas. As salas de leitura têm uma vista maravilhosa pro Kremlin.

No subsolo da Biblioteca, há uma cantina (stolovaya) super ultra barata, com comida de verdade. Tudo muito bom. Em nenhum outro lugar no centro de Moscou você vai comer pagando tão pouco. Devo agradecer à amiga Priscila Nascimento pela descoberta. É um pouco difícil encontrar a cantina e sugiro que você pergunte a alguém. Só dizer “stolovaya”.

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9) Jardim de Alexandre

Saindo da biblioteca, siga pela rua Mokhovaya, na calçada da direita (atravesse pelas passagens subterrâneas). Você vai ver a entrada do Kremlin (a visita será outro dia) e andar na direção do Jardim de Alexandre, visitando também a chama eterna na Tumba do Soldado Desconhecido.

 

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10) Tverskaya

Quando terminar de visitar os jardins, busque o Hotel Nacional, na esquina das ruas Mokhovaya e Tversakaya. Você vai subir calmamente a rua Tverskaya, a principal da capital russa. Lojas, lojas, lojas, a prefeitura, lojas, lojas, alguns teatros, restaurantes, lojas e lojas. Minha sugestão é subir pela calçada da direita e cada vez que você vir um arco entre os edifícios, entre para conferir. Geralmente os edifícios mais bonitos estão justamente escondidos nos pátios atrás dos arcos. A prefeitura você vai ver no número 13 desta rua (prédio vermelho pastel) . Continue andando até o número 14 e surpreenda-se (!!!!!!) com a arquitetura do Gastronom Eliseevsky, um requintado edifício de 1901 que é hoje um supermercado (com preços um pouco acima da média, mas ainda assim razoáveis). Confiram este vídeo e babem:

A praça Pushkin pode ser o ponto final do passeio. Pros que ainda conseguem andar, sigam até o fim da rua, na estação de trem/metrô Kievskaya. Não fica muito longe.

  • Este é um passeio que pode tomar o dia inteiro. Não há restaurantes entre os pontos 3 e 6, mas depois é fácil parar e sentar para descansar.
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36 opiniões sobre “Moscou (1° dia): um roteiro a pé pela capital russa

  1. João Gabriel

    Incrível como ainda não visitei alguns pontos. Valeu muito a pena ler tudo! 🙂

  2. newton Cunha

    CAra, seu circuito de um dia é muito bom. Fiquei dois dias em Moscou e segui seu roteiro, com algumas modificações. Me ajudou muito. O restaurante ucraniano é ótimo!!!

    • O Mundano

      Nossa, Newton. Muito legal saber que o meu roteirinho te ajudou. :-))) Abraços.

      • márcio bernardo

        ô “mundano” bom dia! eu e minha esposa queremos ir pra moscou ano que vem(2016) e passar pelo menos uma semana por lá! mas temos receio por desconhecermos o idioma! foi muito dificil pra você no início? gostei do seu blog! um grande abraço!

      • O Mundano

        Olá, Márcio.

        Meu conselho é: AVENTUREM-SE!! O máximo que pode acontecer é o povo russo não entender vocês, né? E vice-versa. Resultado: vocês vão dar boas risadas e ter muita história pra contar depois. Mas, ó, passem aqui no blog e me contem as aventuras pela Rússia, ok? 🙂

        O idioma vocês não vão aprender em uma semana, mas sugiro FORTEMENTE dar uma estudada no alfabeto cirílico, ok? Com isso, vocês já têm meio caminho andado pra não se perderem por Moscou rss

        Um abraço

  3. nilson mendes

    excelente seu roteiro, irei correr a maratona lá e vou segui-lo. obrigado.

  4. Licia

    Olá! Gostei muito do roteiro! Pretendo usá-lo na viagem que farei com meus pais na semana que vem. Por acaso você tem algum show folclórico em Moscou para indicar?
    Obrigada!

    • O Mundano

      Olá, Licia. É muito difícil falar em “show folclórico” em Moscou porque a Rússia tem diferentes nações e diferentes culturas. Você tem algum interesse específico? Como é verão, acredito que os principais eventos serão para turistas, mas posso te ajudar a procurar algo, se você me der uma ideia mais específica do que busca. 🙂

      Um abraço e boa viagem

  5. Juliana

    Adorei o roteiro e vou segui-lo. Só fico aguardo o roteiro para os dias seguintes. Hahahah
    Abçs e obrigada! 🙂

  6. Vanessa Figueiredo

    Olá, tudo bem?
    Vou a Moscow no final de setembro sozinha. Gostaria de saber se devo tomar algum cuidado especial lá?
    Obrigada.

    • O Mundano

      Olá, Vanessa. Sim, sim. Você tem que tomar MUITO cuidado em Moscou – muito cuidado pra não se apaixonar pela cidade e querer ficar pra sempre na capital russa. 😀

      Então… acho Moscou super segura, até mesmo comparada às grandes capitais europeias. Vale sempre o bom senso. Se encontrar pessoas bêbadas, tente desviar – não costumam ser agressivos, mas melhor evitar. Alguns grupos sociais/étnicos (como asiáticos, negros e gays) são visados por grupos de extrema-direita, mas mesmo estes casos são isolados.

    • heloisa

      Estive lá agora em agosto e achei tudo muito tranquilo

  7. heloisa

    Olaaaa. Fizemos esse roteiro à risca. Tudo muito certo. Adoramos as dicas A única dificuldade que tivemos foi atravessar as grandes avenidas em frente ao Kremlin para a biblioteca até descobrir que tinha que ser pelos túneis do metrô Valeu muito. Obrigado

    • O Mundano

      Opa, Heloisa. Que bom que deu certo. E foi ótimo o seu comentário sobre as passagens subterrâneas – vou adicionar à postagem. 🙂

  8. Fabricio

    Otimo post!!! Gostaria de te perguntar sobre um segundo dia em Moscou, o que da pra fazer? Existem outros pontos de interesse? Vou agora no fim de outubro e vou seguir seu roteiro. Abraço

  9. Fabricio Almeida

    Ola
    Passei aqui para contar que seu post me ajudou muito e também deixar algumas dicas para ajudar a todos.
    Bom primeiramente Moscou não fala inglês nunca e em lugar nenhum, placas todas em russo, ruas todas em russo, estações de metrô todas em russo, estações de trem em russo, ou seja, tudo em russo.
    No caso dos metros existem alguns mapas com o nome em russo e embaixo inglês… “RECOMENDO” muito esse mapa, porque não adianta saber o nome em inglês se todas as paradas do metro estão em russo… hahaha. Se conseguir um mapa da cidade desse jeito também vai ser muito útil.
    Outro ponto importante é a comida (ah eu fui na biblioteca comer com os russos) os cardápios são em russo (não sei nos restaurantes chiques) por isso há uma dificuldade em saber os pratos e o que significa… por isso MacDonald’s (Макдональдс) é uma boa opção, alguns tem um tipo de tablet cardápio, onde vc faz o pedido e paga com cartão tudo em inglês, bem mais simples para um primeiro dia onde vc ainda está meio assustado. Mas depois recomendo ir em restaurantes russos mesmo (no tanto que tenham fotos no cardápio) e apontar com o dedo o que vc quer.
    Fizemos a rota de Copenhagen a Moscou voando com Aeroflot (empresa aérea russa), poltronas confortáveis, o lanche era bem bom e o voo bem rápido e tranquilo. A moça que confere as passagens na saída de Copenhagen não sabia que brasileiros não precisavam de visto e isso gerou um certo transtorno… após falar com um monte de gente, ela procurou no site russo para ver que podíamos entrar no país sem visto… ufaaa. Aliás falando em transtorno, todo lugar público como aeroporto, estação de metrô e estação de trem tem um detector de metal e também um raio x de bagagem logo na entrada, e ninguém entra nesses lugares com bagagem sem passar pelo raio x. Por isso na Rússia cuidado com o tempo de suas conexões, pode ser que eles achem algo estranho em sua mala e queiram revistá-la.
    Fomos para São Petesburgo de trem e tivemos que decifrar em qual estação de trem o nosso partia e deveríamos ir. Existem quatro estações de trem se não me engano. Como fomos de metro para lá chegando na estação de trem tivemos que sair procurando onde era a estação e onde entrava e tudo mais. Suado a coisa.
    Em São Petesburgo por ser uma cidade muito turística o inglês é usado com alguma frequência, mas não se enganem o que manda é o russo. Nas barraquinhas em que vendem souvenirs e lembranças o inglês e o euro correm solto, até rola um portunhol nesses lugares.
    Li alguns relatos de brasileiros que tiveram muita facilidade para entrar na Rússia por Helsinki, eu fiz o caminho contrário e posso dizer que tive uma certa dificuldade em entrar em Helsinki partindo de São Petesburgo, e isso se deve ao fato de muitos sírios estarem entrando nos países escandinavos pela Rússia… mas o que tem haver vc não é brasileiro? Pois olhe tive que mostrar todos os comprovantes de hotéis que ia ficar e passagens que ia utilizar… como estava indo para conhecer a casa do papai Noel e depois caçar a aurora boreal na Lapônia o tempo de estada era um pouco maior, pode ser por isso o problema. No fim já no polo norte acabamos descobrindo por um ex agente federal finlandês que um pouco da burocracia se deve ao fato de que muita gente entrar no país para se prostituir e depois retornar a Rússia com a mala cheia de dinheiro, todos enviados pela máfia russa… nossa achei que essa tal máfia só existia em filme mesmo… hahaha.
    Enfim apesar das dificuldades com a língua, Moscou e São Petesburgo são cidades grandiosas com monumentos incríveis e não ficam muito atrás de outras cidades europeias, lógico que cada cidade tem seu charme, enfim, achei Moscou uma cidade muito diferente de tudo que já vi e me senti muito pequeno nessa cidade onde tudo é muito GIGANTE. A sensação de não entender nada no início é assustadora, mas depois que aprendemos um pouco do funcionamento das coisas, tudo fica mais simples e fácil. Rola até uns spasibo (obrigado) para a os russos.

    Abração… espero ter contribuído com seu blog.

    • O Mundano

      Olá, Fabrício.

      O seu relato é SENSACIONAL. Muito muito obrigado. Eu consegui viajar um pouco nas suas palavras. Apesar de alguns contratempos que vc relatou, acho que o saldo é positivo, verdade? Se fosse fácil viajar pela Rússia, provavelmente não seria tão interessante. E como você falou, o idioma é uma grande barreira – mas um grande gerados de histórias engraçadas hehe

      Muito obrigado por vir aqui deixar esta valiosa contribuição. 🙂

      Спасибо – Spasibo – Obrigado

      Um abraço

  10. neusa oliver

    Adorei as orientações que você relata. Parabéns. você é MESMO UM JORNALISTA ..Pretendo utilizar suas informações quando visitar este ano Moscou e São Petersburgo. Saúde e paz.

  11. Andrei

    Estou dando uma boa lida em todo esses posts que você fez (ainda bem, pois não está fácil arrecadar boas informações hehe), mas queria basicamente uma ideia sobre duas coisas, pois pretendo ir em meado de julho com meu irmão. 1) Quatro dias para Moscou e quatro para São Petersburgo está bom? 2) Sei que tudo varia muito, conforme passeios escolhidos, preferências… mas considerando os passeios “padrão” e uma viagem sem luxo para comida e hospedagem, algo mediano, teria um gasto aproximado de quantos rublos por dia? Muito obrigado por compartilhar tanta informação, abraço.

    • O Mundano

      Olá, Andrei. Tudo bem?

      Agora é um momento bom para visitar a Rússia porque o rublo está bem desvalorizado. Olha, quatro dias em cada cidade é um tempo bastante razoável, sim. Costuma dizer que uma semana é o mínimo de tempo para conseguir aproveitar um pouco de Moscou e São Petersburgo. ☺ Sobre os preços, sim, tudo varia muito de acordo com o seu grau de interesse em ver museus, tomar vodka e comer bem. Acho que para comer bem, sem passar fome, mas sem esbanjar, você pode colocar 1,5 mil rublos. Um almoço simples custa uns 500 rublos. Dá pra gastar menos, claro. Pra mochileiro, acho que 200-300 rublos seriam suficientes. Mas, por exemplo, um jantarzinho num local cool da cidade, com uma bebida, entrada e principal custaria uns 1,2 mil rublos. Hotel: a diária do quarto duplo você consegue até por 4 mil rublos. Mas tem albergue em quarto coletivo por 600 rublos e até menos. Os museus custam por volta de 300-400 rublos. Mas o Kremlin ascende a 2 mil rublos, se você quiser ver tudo. Transporte público é bem barato. Um cartão com 11 viagens custa pouco mais de 300 rublos. Será que estes valores te ajudam um pouco a ter uma ideia dos gastos? ☺ Um abraço a boa viagem.

  12. Pingback: Contando as Horas » Arquivos » Organizando uma viagem para a Rússia

  13. Fabio O Araujo

    Ola Sandro, tudo bem?

    Parabens pelo blog. Otimas dicas. Estrei em Moscou agora entre de 07/05 a 10/05 (volto para o Brasil na madrugada do dia 11/05). Tem algum consideração a fazer para este roteiro pensando que tem quase 4 anos que voce o escreveu e que, no caso do meu cronograma, dia 09/05 tem um baita feriado?

    Obrigado desde ja!

    • O Mundano

      Fabio, perdão por não ter te respondido a tempo. Como foi a sua viagem? Aproveitou o feriado do Dia da Vitória? 🙂 Abraços

  14. Sahori

    Olá!!!
    Adorei as dicas!!! Estou indo para Rússia em Agosto e com certeza todas as informações publicadas no seu blog serão de grande utilidade!!!
    Iremos ficar uns 5 dias hospedados na casa de um amigo brasileiro que acabou de se mudar para Moscow, depois seguiremos para São Petersburgo, onde ficaremos mais uns cinco dias.
    Gostaria de saber se precisaremos obter o registro Migratório mesmo ficando poucos dias em cada cidade.
    Obrigada!!!

    • O Mundano

      Olá, Sahori. Como foi a sua viagem? A Rússia começou a exigir que os turistas façam o registro migratório no prazo de UM dia durante a Copa das Confederações (e isso vai ser repetir durante a Copa do Mundo). Fora desses períodos, o prazo é de SETE dias.

  15. Alex Jacson Carvalho

    Opa, começando a estudar um pouco Moscou e São Petersburgo, já pensando na Copa 2018, tentando bolar ao menos um esboço de roteiro. Li toda a tua série de posts sobre Moscou e o teu blog é disparado o melhor que encontrei sobre a Rússia em geral, é realmente sensacional. Parabéns e muito obrigado por todas as informações. Grande abraço!!!

  16. Márcia Silva

    Republicou isso em Márcia e suas leituras.

  17. Muito obrigado pelas informações. Estive em Moscou no ano de 1996. Percorri a pé parte deste trajeto. Estou retornando a Russia agora em novembro. Certamente sua trabalhosa e eficiente dica irei colocar em prática. Vou querer comer na Stolovaya. Fica na biblioteca Lenin??? Tu podes me enviar um mapa-guia de Moscou???? Agradeço vossa atenção e ajuda.

    • O Mundano

      Olá, Adrianov.

      Que bom que vc vai de novo a Moscou, mais de vinte anos depois. Com certeza vai ser uma super experiência. Sobre a Stolovaya, olha, “stolovaya” é algo como “bandeijão” pra gente. Ou seja, há várias pela cidade. A que fica dentro da Biblioteka é frequentada por estudantes e é bem baratinha, mas agora tem muitas muitas stolovayas em várias partes da cidade. Só escolher uma e se deliciar com uma comidinha c jeito de comida caseira. Tem uma bem conhecida (e um pouco mais cara) dentro do TSUM (a loja de departamentos chique da Praça Vermelha). E sobre o mapa, poxa, não tenho aqui um mapa-guia. Sugiro que vc baixe algum guia pelo aplicativo do celular. É mais fácil pq o GPS te ajuda c as localizações. 🙂

      Um abraço e boa viagem

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