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Yekaterimburgo: terra de Yéltsin e da execução dos Romanov

Yekaterimburgo é a grande metrópole dos montes Urais, a capital da região e a quarta maior cidade da Rússia. Já no trem, as pessoas vinham me dizendo “Yekaterimburgo nem parece uma cidade russa” ou “Yekaterimburgo é linda e organizada como a Europa”. Bem, como eu acho a Europa linda, organizada e bem chata, já fui me preparando para tal. À primeira vista, a cidade parece mais com uma espaçosa cidade europeia do que uma urbe russa, mas aos poucos a gente vai descobrindo a alma russa desta “Europa dos Urais”.

Assim que saí da estação de trem, avistei uma stolovaya (a boa e velha cantina soviética) e resolvi almoçar ali mesmo. Primeiro choque – o preço: 350 rublos (R$ 25) por um almoço que normalmente custa menos da metade nos estabelecimentos do tipo. Paguei resmungando e desfrutando de cada pedacinho do meu frango.

Dali, parti pela rua Sverdlova até a controversa Igreja do Sangue, construída com milhões e milhões rublos em 2003, em estilo bizantino. O templo foi feito para render graças à família Romanov, que foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior em 1981, com o título de “Novos Mártires”. No ano 2000, depois de muito debate, os Romanov (Tsar Nicolas II, Tsarina Alexandra e seus cinco filhos) foram finalmente canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa, com o título de “Portadores da Paixão” (strastoterpets). Um “Portador da Paixão” é uma pessoa que é morta de uma maneira parecida à de Jesus Cristo, mas diferentemente dos mártires, eles não são explicitamente mortos por sua fé, “mas a abraçam com piedade e amor a Deus”. Todos os “mártires” são “portadores da Paixão”, mas a recíproca não é verdadeira.

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A Igreja do Sangue de Yekaterimburgo é um tapa na cara de quem vê igrejas como ambientes de aproximação com o sagrado. Ali, a única aproximação que uma pessoa de bom senso sente é com o luxo. Ouro por todo o lado e uma infra-estrutura de deixar o bispo Macedo com inveja. Dizem até que o ícone mais caro da Rússia está ali dentro. Da igreja, segui para o lago da cidade. Como fazia calor, havia alguns jovens tocando música na margem, crianças patinando, casais tirando foto e/ou namorando. Os edifícios ao fundo dão até uma ideia de Manhattan russa.

Bem, seria uma Manhattan se logo depois de cruzar o lago (pela avenida Lênin) não nos deparássemos com ele, Lênin, como sempre onipresente nas principais praças russas. Em Yekaterimburgo, a estátua de Lênin leva um sobretudo e é o destaque da Praça Ano 1905, que conta ainda com um edifício stalinista que abriga a Prefeitura. Destaque para o relógio do prédio (fotos na galeria abaixo):

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Este já é o centrão de Yekaterimburgo, com a obviamente célebre avenida Lênin. Ande, ande e ande. Achei a cidade bem agradável, com bons restaurantes e bares. É um local pra gastar um pouquinho mais do que o que estamos acostumados na Rússia.

Depois de caminhar pela cidade inteira, resolvi ir para o meu albergue. Geralmente, escolho pelo preço e pelas recomendações. No caso de Ekaterimburgo, como eu estava sem tempo, busquei o mais barato e reservei. Ai, ai, se eu soubesse o que me esperava… Tinha visto no mapa que o albergue ficava perto da estação de trem e como a localização é sempre sempre um dos fatores fundamentais, nem pensei duas vezes. A questão é que o tal albergue ficava ao lado de uma estação secundária (Pervomayskaya), em uma vizinhança bem estranha. Quando entrei no albergue, notei que o local era na verdade uma espécie de mega dormitório barato para russos. Ninguém sabia nem um “Hi” de inglês. Na recepção, a dona falou pra filha: “Nossa. Do Brasil. Deve ser perto da Alemanha. Lembra aquele menino que veio há duas semanas?”. E a filha respondeu: “Ah, sim. Era outro ‘inglês'”. (muitos russos usam “inglês” quando querem se referir a “estrangeiro”). Sorri e fui pro quarto. Outros três homens assistiam a um jogo de futebol e bebiam cerveja. E assim foi até as tantas da madrugada. Não reclamei. Só pedi a São Putin que o tempo passasse rápido. De manhã, como não havia água quente, peguei minha mochila, levei pra estação de trem e deixei por lá. Decidi fazer uma day-trip naquele domingo e pegar um trem pra Sibéria naquela noite mesmo.

Ekat

Depois da noite tenebrosa, tirei o domingo para visitar Ganina Yama, a 15km de Yekaterimburgo. A cidade alberga o Monastério dos Mártires Sagrados, em honra à família Romanov. A Igreja Ortodoxa diz que este é o local onde se encontram os restos da família. No entanto, em 1998, os restos da família real foram enterrados na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersbugo. A Igreja Ortodoxa não reconhece o fato e mantém o complexo de Ganina Yama como ponto de peregrinação para os fiéis.

Como chegar?

O mais importante é saber os horários de volta, já que não há muito trens que param nesta estação.

Confira tudo no site: http://ekburg.tutu.ru/

Na parte de busca (Поиск по пунктам следования), coloque Екатеринбург Пасс. no espaço de Saída (Пункт отправления:) e Шувакиш  no espaço de Chegada (Пункт прибытия). Essa é a ida. Complete abaixo com a data. E depois, basta fazer o mesmo ao contrário para conferir os trens de volta. São 30 minutinhos de viagem e a passagem custa menos de 4 reais.

Assim que você chegar a Shuvakish, siga à direita (no sentido do trem). Você tem que caminhar pelo menos 30 minutos pra chegar ao local sagrado. Mesmo eu, que sou urbanóide e que estava sozinho, gostei da caminhada. Fotos do complexo religioso, do caminho e do interior de algumas igrejas em seguida:

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Na volta pra Yekaterimburgo, conheci no trem uma simpática senhora que queria me apresentar à filha dela: “Ela é como você. Só quer viajar e viajar. Tem 25 anos e ainda não se casou, acredita? Você é casado?”. Quando eu falei que não era casado, ela resolveu arregaçar as manguinhas pra arrumar um marido pra pobre filha. Inventei algumas desculpas e mudei de assunto.

Já na cidade, voltei pra praça da Prefeitura e de lá peguei o ônibus 14 para o ponto “Kontrolnaya”. Queria terminar o dia visitando o Cemitério Shirokorechenskoye, onde dezenas de membros da máfia estão enterrados. Pra quem tiver tempo, recomendo.

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Perm: a cidade da revolução cultural e uma visita ao museu do gulag

Continuando nos trilhos da Transiberiana, resolvi parar em outra cidade que os viajantes geralmente não visitam. – Perm. Com pouco mais de 1 milhão de habitantes, esta cidade industrial é a última grande urbe antes dos montes Urais, que dividem geograficamente a Europa da Ásia.

Cheguei numa noite chuvosa e a primeira impressão não foi das mais positivas. Senti um pouco de perigo nas imediações da estação de trem, mas mesmo assim resolvi caminhar até a rua principal (a esta altura do campeonato, acho que não preciso dizer que o nome da rua principal é Lênin, como em quase todas as cidades russas). Cheguei ao albergue “Hostel P”, bem no centro, e achei que a minha impressão da cidade fosse melhorar no dia seguinte. Não foi o que aconteceu.

Mal sabia eu que a parte mais interessante de Perm não era sua arquitetura ou seu centro, mas justamente a relação do cidadão com o espaço urbano. Muitos artistas (amadores e profissionais) vêm há pelo menos cinco anos movimentando a cena artística da cidade, seja com intervenções urbanas seja com novas galerias e espaços culturais institucionalizados ou alternativos. Não vou escrever muito sobre isso aqui no blog porque vai ser tema pr’uma matéria, com certeza. Mas já adianto que chegam a chamar de Revolução Cultural o movimento que dizem ter começado em Perm em 2008.

Além de andar e observar a arte das ruas, a minha sugestão é visitar a Pinacoteca do Estado de Perm, que tem uma ótimo coleção e está instalada em um edifício que já foi uma catedral ortodoxa. Outro museu que merece atenção é de Arte Contemporânea. Os dois já valem a visita à cidade.

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O outro destaque da região é o Museu do Gulag (Perm 36). Pra quem não lembra, gulags eram os campos de trabalhado forçados para criminosos ou dissidentes e presos políticos durante a União Soviética.

O museu fica a mais ou menos 90km do centro de Perm e a viagem em ônibus leva 1h45 e custa 200 rublos (15 reais). Mas já aviso que não é fácil achar, principalmente pra que não fala russo. Não tem nenhum ônibus que leve até o museu. Os ônibus te deixam na estrada e depois você ainda tem que caminhar uns quilômetros (45-60 minutos). Pra quem gosta de uma leve aventura, ótimo. Só não pode se esquecer de avisar ao motorista que você quer descer na estação de “Kuchino” para ir ao “Musei Perm 36”. É bom ver o mapa antes porque nem todos conhecem o museu. Uma outra opção é perguntar no albergue pelas excursões. Custam por volta de 1 mil rublos (75 reais). No museu, imperdível assistir ao vídeo que conta a história dos gulags. É pago à parte (10 reais), mas recomendo.

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Kirov – sentimento provinciano e entrevista para um jornal local

Como eu já havia comentado nos primeiros posts, há várias maneiras de se fazer a Transiberiana. Fugir das cidades óbvias é uma delas e pode ser bem interessante (ou não).

Da esplêndida Kazan, resolvi ir para Kirov, uma cidade onde poucos viajantes param. Tenho uma grande amiga daqui e queria conhecer sua cidade-natal.

A primeira surpresa foi sem dúvida a (pouca) infraestrutura da estação. Depois de Kazan, cuja estação tem ares de aeroporto, Kirov me recebeu com simplicidade de cidade do interior. Assim que saí do trem, os alto-falantes começaram a tocar uma música no estilo Cauby Peixoto (mas em russo). Parecia que eu estava de repente em outro país. Kirov tem 470 mil habitantes, mas um ar provincial, um ambiente que pouco lembra qualquer uma das cidades até então visitadas.

Não é muito difícil se orientar neste tipo de cidade. Mesmo sem mapa, saí da estação e segui o fluxo das pessoas. A maioria ia para a estação de ônibus, para seguir viagem para alguma cidade ainda menor da região. Ali na estação perguntei onde ficava a Ulitsa Lenina (rua Lênin), onde presumi (acertadamente) que seria o centro. Cruzei um parque onde havia alguns brinquedos – roda-gigante, navio pirata, carrinho bate-bate – e como já estamos em férias escolares, apesar de ser quarta-feira de manhã, havia um número considerável de pessoas. Destaque para as bandeirinhas que estavam sendo vendidas no parque – bandeiras da Rússia com o rosto de Putin e Medvedev (em meio a alguns Bob Esponjas). Veja a foto na primeira galeria.

A minha mochila com uma bandeira do Brasil não passou despercebida. Um rapaz veio falar comigo pra me dizer que ele sabia um pouco de espanhol. A confusão entre português e espanhol entre os estrangeiros já é conhecida nossa. Corrigi o engano educadamente, mas ele insistiu no idioma de Cervantes e arriscou algumas palavras em espanhol mesmo. Não sei se ele está na segunda aula do curso ou se inventou a história pra conversar comigo, mas logo passamos pro russo e ele me contou que trabalha na televisão local em um programa que ensina as pessoas a falar frases importantes para situações específicas em alguns idiomas. O convite veio logo em seguida: “Você não quer ir lá na tv? Poderíamos fazer um programa com você, em português”. Como eu tinha apenas algumas horas em Kirov, tive que recusar.

Atravessei o parque e já achei uma das ruas principais – Prospekt Oktyabrskiy. Subindo mais um pouco, vemos a estátua do líder bolchevique Kirov, bem no começo de um agradável bulevar. Como o bulevar é paralelo à Lênin, resolvi andar até o final, quando chega a rua Profsoyuznaya, para depois girar à direita e pegar a Lênin do comecinho.

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A rua principal é muito menos impressionante do que as equivalentes das cidades russas que eu conheço, mas por isso mesmo me pareceu interessante. Prédios sem restauração, poucos cafés de grandes redes, edifícios residenciais stalinistas… Desci até a altura da rua Rosa Luxemburgo. Dali, peguei à esquerda da Rosa Luxemburgo e fui até o rio Vytka. Uma catedral ortodoxa completa a paisagem.

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Voltando à rua principal, desci até a rua Engels, na esquina com a Karl Marx (adoro estes nomes tão significativos) e dei uma andada pela gigantesca praça Teatralnaya, com a estátua de Lênin no centro e alguns teatros ao redor. O espaço é amplo é os jovens aproveitavam para andar de patins, skate ou bicicleta. Alguns deles aproveitavam o bom tempo para desenhar.

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Já voltando para a estação de trem, depois de quatro horas andando calmamente pela cidade, uma senhora me parou e disparou: “Você não é daqui, né?”. Confirmei a suspeita dela e falei que era brasileiro. “Ah, eu sabia que você não era nosso”, referindo-se à minha origem. Ela estava impressionada com o fato de um brasileiro ter parado ali, na pacata Kirov. Falei que eu tinha uma amiga dali e ela, sacando a câmera, foi me dizendo que era jornalista e que queria fazer uma matéria comigo. Usei a falta de tempo mais uma vez como desculpa, mas ela – a simpática Olga – se propôs a me entrevistar no caminho até a estação. Não tive como recusar. Além das perguntas óbvias – há quanto tempo mora na Rússia, o que faz aqui, do que gosta, do que não gosta, casado, tem filhos -, logo vieram questões mais estranhas ou indelicadas. “Você sabe nadar?”, “Quanto você ganha por mês como jornalista?”, “Pra que time você torce?”. Com a combinação das perguntas, já fiquei imaginando o título da matéria: “Jornalista brasileiro flamenguista nada em XX mil rublos mensais”. Olga me contou que também trabalha como freelancer e que um dos seus frilas (tirar fotos todo fim-de-semana em uma casa de concertos) paga 2 mil rublos (140 reais) por mês. A experiente jornalista tirou uma foto minha e disse que o artigo sairia no dia seguinte. Assim que eu voltar de viagem, tentarei entrar em contato com ela pra ver se consigo pelo menos uma foto do jornal local com o “meu” artigo.

Assim foi a minha rápida visita a Kirov. Não acredito que muita gente passe pela cidade, mas se uma sorridente senhora te parar na rua, já sabe que é a jornalista Olga e que no dia seguinte você estará na gazeta da cidade.

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Kazan: diversidade, patrimônio da Unesco e um museu da vida soviética

Kazan é uma das cidades russas hors concours. Você não vai achar ninguém que não goste da magnífica capital do Tartaristão, uma das 83 regiões administrativas da Rússia. A cidade compete com Nizhny Novgorod pelo título de terceira capital da Rússia.

Kazan foi fundada em 1005 e aparece com destaque na história do país por ter sido conquistada na metade do século 16 por Ivã, o Terrível. E foi esta conquista que motivou a construção da mítica catedral de São Basílio, em Moscou. Antes da conquista por Ivã, Kazan estava sob domínio tártaro-mongol há pelo menos três séculos. Hoje em dia, 52% dos habitantes da cidade são etnicamente tártaros e 43% russos.

O grande destaque de Kazan é o seu kremlin, que figura entre os patrimônios da Humanidade da Unesco. A entrada é gratuita. Entre os edifícios e monumentos da fortaleza, vale a pena reparar com atenção a Torre Syuyumbike. Conta a lenda que Ivã, o Terrível, tomou a cidade Kazan como resposta à recusa da princesa Syuyumbike em se casar com ele. Coitado de Ivã… Syuyumbike disse que ela se casaria caso Ivã construíssem uma torre mais alta que qualquer mesquita da cidade. Para o azar da donzela, Ivã conseguir cumprir o desafio e a torre ficou pronta em uma semana. Syuyumbike, que pelo visto não contava com os poderes de Ivã, se jogou do alto da torre e se suicidou.

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entrada do Kremlin

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a torre Syuyumbike

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torre de 59m de altura

No mesmo território do Kremlin, também chama atenção a belíssima mesquita Kul Sharif, que agora é o cartão-postal da cidade. Não me contive e tirei inúmeras fotos. Confira alguns ângulos do templo muçulmano:

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Depois do Kremlin, a minha sugestão é descer umas escadinhas que ficam bem na entrada do complexo e você vai cair na rua Bauman, a principal rua de pedestres da cidade. Se não achar as escadas, basta perguntar por “ulitsa Baumana”. No verão, músicos e artistas de rua desputam a atenção (e os rublos) dos turistas. A rua também é um bom lugar para beliscar alguma coisa ou almoçar (quase em frente ao McDonald’s, tem uma “stolovaya” – cantina – bem simples, mas deliciosa, com comidinha caseira e preços de mãe).

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E pra terminar o passeio com chave de ouro, visite o Museu do Estilo de Vida Soviético, na rua Ostrovskaya, 39 (paralela à rua Bauman). É o momento de fazer as típicas comparações do tipo “antes era tão bom e agora…”. Quem tiver a sorte de estar em Kazan num domingo à tarde poderá ainda curtir sessões de música soviética. O museu traz brinquedos, roupas, acessórios, utensílios e outras centenas de coisinhas da época Soviética. Poucas informações estão também em inglês, mas mesmo sem poder ler russo, o museu valeu bastante a pena. Separe no mínimo 1h-1h30 para poder vasculhar as peças da coleção:

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* Uma dica de restaurante

Conheci através de amigos um ótimo restaurante que serve comida tártara (gastronomia local) e preciso compartilhar este achado com a humanidade. O restaurante se chama Bilyar e tem quatro endereços na cidade. Busque o que estiver mais próximo de você:

– Ulitsa Butlerova 31

– Ulitsa Bolshaya Krasnaya 48

– Ulitsa Vishnevskovo 15

– Prospek Pobedy 50a

Eles têm menus de almoço bem baratos (R$12), mas sugiro provar os  ech-pochmaks (como um pastel local; R$6). E pedi também um prato delicioso (R$ 16), mas que não consigo achar/lembrar o nome. Como o menu deles vem, com foto, coloco abaixo a fotinho do prato. Perdão aos vegetarianos, mas minhas duas recomendações são com carne.

comidinha

queijo, tomate, carne e umas coisinhas verdes gostosas

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Nizhny Novgorod: rio Volga, literatura e uma agradável rua de pedestres

Nizhny Novgorod foi sem dúvida uma das gratas surpresas da Transiberiana. Resolvi parar porque “já estava no caminho mesmo” e acabei mordendo a língua. Uns dias antes de visitar a cidade, que é conhecida como a “terceira capital da Rússia”, cheguei a comentar com uma amiga que “morar em Nizhny deveria ser bem chato”. Eita, que vergonha por ter falado sobre um lugar que eu nem conhecia. Eu estava completamente enganado. Nizhny tem tudo o que Moscou tem, com a diferença de que é mais simpática, mais acolhedora e mais charmosa. Ok, acho que já compensei meu grande erro por ter subestimado Nizhny Novgorod. O que tem então de tão especial na cidade?

Eu sugiro começar o passeio indo direto para o centro. Da estação de trem, pegue qualquer ônibus que vá para o Kremlin (1), que fica no alto de uma colina. A entrada é gratuita e você poderá admirar as 11 torres do século 16 que protegem o complexo amuralhado. Quase todos os edifícios lá dentro são sede de algo do governo, mas o espaço conta ainda com a Catedral de São Miguel Arcanjo, do século 17, e um monumento aos heróis da II Guerra Mundial, além da chama do soldado desconhecido.

Saindo do Kremlin, pegue a rua principal, Bolshaya Pokrovskaya (2). É um bom momento para parar para descansar e comer algo. Quando você chegar ao final da rua, encontrará a praça Gorky, com a estátua do escritor. Vire à direita e busque a rua Ilinskaya (3), que é quase paralela à Bolshaya Pokrovskaya (quase paralela pra uma pessoa de Humanas; que não me leiam os matemáticos). Dali, desça até a rua Pochtovy Syezd, pela calçada da esquerda. Você vai ver uma casa de madeira vermelha – é onde Gorky viveu durante a infância. Por sinal, a cidade chegou a se chamar Gorky nos tempos soviéticos!!

Volte à rua principal e pegue a seguinte à esquerda (4), rua Dobrolyubova. Em alguns metros, você verá a igreja da Assunção. Agora é só começar a descer. Como? Fica por sua conta. Há algumas rotas diferentes – pelo parque, por escadas… A vista daqui é muito legal e você consegue ver os rios Volga e Oka, além das principais igrejas da cidade.

Quando chegar à cidade baixa, busque a rua Rozhdestvenskaya (5), paralela à margem do rio. Ali você vai ver a magnífica igreja barroca Stroganov (também chamada igreja da Natividade).

Depois de toda esta andança, você pode pegar um ônibus para atravessar a ponte ou simplesmente ir caminhando, como eu fiz. E se não estiver cansado, vá até o monastério da Anunciação (6), do século 13. É só continuar andando pela rua Rozhdectvenskaya, sem atravessar a ponte. Infelizmente, o monastério não está aberto para visita.

Tendo atravessado a ponte (8), vire à direita para visitar a Catedral Nevsky (é o templo amarelo que você vê da cidade alta). E depois, caminhe até a praça Lênin (9) ou pegue um ônibus para o seu albergue ou para a estação de trem.

Nizhny

Confira aqui as fotos dos pontos citados no post e marcados no mapa:

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Muita gente tem me pedido pra postar fotos do trem e das paisagens que eu tenho visto nesta aventura ferroviária. Aí vão as fotos:

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Rostov-Veliky: a grandiosa vila medieval às margens do lago Nero

Com dois dias em Yaroslavl, acabei me rendendo à tentação de visitar a cidadezinha vizinha, Rostov-Veliky . São 55 km de distância entre as duas e vale como uma half-day trip. Chegar lá é bem fácil. De trem são 45 minutos e custa 250 rublos e de ônibus dura 1 hora e custa 100 rublos.

Chegando a Rostov-Veliky (as estações de trem e de ônibus estão no mesmo lugar), basta dizer “Kremlin” e vão te apontar a direção. Na verdade, é só pegar a rua principal que começa na estação, perpendicular à mesma, e andar até a praça principal. Não é nem 1,5 km.

O Kremlin dispensa comentários, tendo a Catedral da Assunção, com suas cinco cúpulas, como destaque. A entrada para todo o complexo custa 150 rublos (R$ 10). Vale a pena comprar a entrada com o passeio pela muralha, de onde se tem uma vista maravilhosa do Lago Nero. Duas outras igrejas – São João Divino e Ressureição – completam o cenário, com belíssimos afrescos do século 17. Na primeira igreja, tivemos a sorte de ver um grupo cantando música religiosa (e vendendo seus CDs, claro). Não é nada no estilo “erguei as mãos e dai glória a deus…”, mas parece que agrada aos locais. Assim que eu tiver uma conexão decente, subo o videozinho que fiz.

Depois do Kremlin, que você vai visitar em pouco mais de uma horinha, uma opção é comer na cantina que fica lá dentro, em um subsolo. Não há muita opção, mas a comida é gostosa e bem barata. Sugiro o único prato de carne que eles têm (“myáso” – carne em russo). Não paguei nem 150 rublos (R$ 10) e comi bastante bem. Tirando a carne, tem sopa, sopa e sopa. Escolha a sua preferida. Para beber, o típico é provar a medovukha local, uma bebida alcóolica à base de mel fermentado.

Dali do Kremlin, ande até o lago Nero e siga pela margem dele, caminhando pra sua direita. Ao fundo, você vai ver outra igreja grande – é o monastério de São Jacó. A caminhada é muito agradável (1,5 km).

Mais uma horinha por ali e você já pode voltar pra Yaroslavl com a certeza da missão cumprida.

Não dormi em Rostov-Veliky. Preferi ter Yaroslavl como base, apesar de Rostov estar entre Moscou e Yaroslavl.  Achei mais cômodo por causa da mochila e também para seguir viagem.

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Yaroslavl: a cidade dourada é a nossa primeira parada na Transiberiana

Depois de ter dado o pontapé da Transiberiana lá em Moscou, a megalópole russa, seguimos nossa viagem com uma parada na histórica cidade de Yaroslavl, fundada em 1010 pelo grão-príncipe de Kiev, Yaroslav. A cidade faz parte do famoso Anel de Ouro (circuito de cidades a nordeste de Moscou que estão entre as mais antigas da Rússia) e seu centro histórico é patrimônio da Unesco.

Saí de Moscou numa sexta-feira, depois do almoço, e fiquei aqui até segunda de manhã. São apenas quatro horas de trem (250 km) e a passagem custa 800 rublos.

Chegando à estação de trens de Yaroslavl, pegue o bonde n.6 para o centro, até a praça Vermelha deles (Krasnaya Ploschad). Fiquei em um albergue ali perto da praça, na Prospekt Oktyabrya, 11. Hostal Good Luck. Organizado, limpinho, staff simpático. Perfeito! E a localização não poderia ser melhor. Preço: 500 rublos.

Tendo a questão da acomodação resolvida, volte para a Praça Vermelha e dali desça para o rio, por um bulevar que se chama Ulitsa Krasny Sezd. Eis o Volga, o maior rio da Europa. Aprecie a vista (se os mosquitos deixarem). Quando eu cheguei ao rio, o DJ do bar que fica ali no calçadão resolveu tocar o tal do “Bereberebere Barabarabara”. Apesar de não ser exatamente o meu gosto musical, fico feliz por poder escutar estas musiquinhas comerciais em português.

Depois de se deliciar com o Volga, recomendo um passeio de barco. Dura uma hora e custa entre 150 e 250 rublos (R$ 10 – 16), dependendo do barco. Se estiver muito calor, cheque os horários do último barco e faça o passeio no pôr-do-sol. Dali do porto, caminhe para a direita, em direção à igreja gigante que você vai ver ao fundo.

Seguindo pela margem do rio, o único desvio obrigatório é na Pereulok Narodnaya, onde você vai andar 50 m até a praça Sovetskaya. Na praça, a Igreja do Profeta Elias. Mais do mesmo? Mais uma igreja linda como todas as outras? Não, não, não. Entre nesta, por favor. São 70 rublos (R$ 5) que serão bem investidos. A igreja é do século 17 e tem uns afrescos muito lindos. Acho que é uma das igrejas mais bonitas que já vi na Rússia. Fotos abaixo:

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Depois de ter visto a Igreja do Profeta Elias, recomendo que você volte para a margem do rio e siga andando, andando, andando (não desça as escadas para o rio nem atravesse a ponte – se fizer isso, volte para seguir o trajetinho). Em um determinado momento, você chegará ao Mosteiro da Transfiguração do Salvador, com seu looongo muro branco. A entrada principal – Portão Sagrado – é a estrutura mais antiga do complexo religioso, construída em 1516!!! Vale a pena visitar. O ingresso com a visita à torre (tem como subir e ter uma vista legal da cidade) custa aproximadamente R$ 15.

Seguimos caminhando? Agora é somente para os não-preguiçosos. Continue pela margem do rio e atravesse a segunda ponte, que se chama Prospekt Tolbukhina. À direita, você vai ver a Igreja de São João Batista, construída na segunda metade do século 17 e que aparece na sua nota de 1000 rublos.

Agora é só pegar um ônibus de volta para a Krasnaya Ploschad e descansar às margens do Volga.

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Hotéis, restaurantes, bares e boates de Moscou

Pra fechar as dicas de Moscou, achei relevante postar aqui algumas dicas de acomodação, restaurantes e boates/bares (atualizarei aos poucos):

Acomodação

Este é sem dúvida o grande problema para os viajantes (melhor dito, para os mochileiros que estão com o orçamento apertado). Há novos albergues na cidade, mas ainda estamos muito aquém da variedade de opções que há nos países da Europa ocidental, por exemplo.

Quase todas as pessoas que eu conheço ficaram no albergue Napoleon (http://www.napoleonhostel.com), que custa pouco mais de R$ 30 a noite. A localização é perfeita, bem no centro do meu bairro preferido de Moscou – Kitay Gorod. É uma área com muitos bares e restaurantes e, apesar de estar bem pertinho do Kremlin, os preços são acessíveis. O bairro é frequentado pela galerinha cool de Moscou, jovens descolados que falam vários idiomas e muitos expats.

Uma alternativa ainda mais barata é utilizar o site CouchSurfing (www.couchsurfing.org). A página funciona como uma rede de viajantes dispostos a receber desconhecidos (de graça) em suas casas em troca de um bom papo e (quem sabe?) uma nova amizade. A comunidade do CouchSurfing de Moscou é muito ativa e a chance de você encontrar um host, alguém que possa te acolher, é bem grande. A ideia do Couch Surfing não é apenas economizar alguns reais/dólares, mas realmente estar em contato com pessoas que possam te trazer uma perspectiva local da cidade, fugindo da atmosfera “Where are you from?” dos albergues. Conheci alguns dos meus melhores amigos pelo site do Couch Surfing e sempre recomendo!!

–> No centro, sem pagar uma fortuna

Nem todo mundo que está lendo o blog é mochileiro radical. Hotel em Moscou é bem caro, mas com alguma organização, é possível ficar no centro sem ter que roubar as moedinhas de nenhuma igreja.

Ibis Tverskaya tem provavelmente o melhor custo-benefício da cidade. Está localizado no coração de Moscou e custa R$ 350 a diária. Reserve com antecedência. O hotel tem o conforto básico, mas sem nenhuma extravagância.

Para hoteis melhores, mas na mesma faixa de preço, busque na zona de Izmayalovo (eles aparecerão facilmente em qualquer busca ordenada por “menor preço”, descartando os dormitórios de albergues). Hoteis com piscina e sauna podem custar os mesmos reais/rublos do Ibis. Quase todos ficam próximos ao metrô e em menos de 20 minutos você estará na Praça Vermelha.

Para os que estão com um orçamento mais, digamos, folgadinho, minhas três recomendações são:

– Ritz: o hotel tem um lounge-bar super legal no terraço, com uma vista sensacional da Praça Vermelha; o inconveniente é estar sempre cheio de celebridades e políticos. Muitas vezes, o hall principal tem tanta gente que parece o metrô carioca na hora do rush. E o staff nem sempre é muito simpático se você não for uma destas celebridades. O preço, óbvio, também está nas estrelas: R$ 1.800 pela diária.

– Hyatt Ararat: o interior parece um navio. E o restaurante no terraço é ótimo, também como uma vista muito boa (não tão boa como a do Ritz). Valores a partir de R$ 1.160.

– Metropol (não tem a chiqueza exagerada do vizinho Hyatt Ararat nem a vista do Ritz, mas um staff super simpático, a arquitetura Art Nouveau e uma ótima atmosfera fazem deste o meu hotel chique preferido de Moscou. Os valores começam em R$ 550, se você tiver sorte.

Restaurantes

Para os chiques e com dinheiro, acrescento aos já citados restaurantes dos hoteis o famoso e tradicional Café Pushkin. A conta de um almoço fica por volta dos R$ 200, por pessoa. Confira o site (em inglês): http://www.cafe-pushkin.ru/en/

E quem quer comida russa com preços acessíveis, sugiro provar “pelmeni” (parecido com um ravioli, mas melhor!!), “borsch” (sopa de beterraba, de origem ucraniana) e “blini” (panquecas). Onde comer? Estes pratos são servidos em quase qualquer restaurante (os russos adoram misturar pizza, sushi-bar, comida russa etc), mas os mochileiros costumam escolher a rede de restaurantes My-My (lê-se Mu-Mu), que já foi muito mais barato, mas que ainda mantém preços decentes. Funciona como um bufê onde você vai vendo e escolhendo a comida. E depois paga o que pediu. Bem simples. Come-se bastante bem, com sobremesa, por 400 rublos (R$ 26). Confira aqui os endereços do My-My: http://www.cafemumu.ru/address/

Um outro lugar super bacana e imperdível (para os que querem sentir um pouco o espírito soviético) é o Cheburechnaya, que serve chebureki (pastel russo) e vodka. Confira o post que eu já fiz lá no meu blog, Café com Kremlin:   http://cafecomkremlin.com/2012/04/06/pastel-com-vodka-num-bar-sovietico-bem-vindo-a-russia/

Além disso, uma andadinha pelo bairro Kitay Gorod vai te fazer descobrir muitos lugares bons e baratos. O clássico da zona é o Propaganda, que também é uma boate e eu comento logo em seguida, no próximo tópico.

Lenin e eu

bar Cheburechnaya – rua Pokrovka, 50 (metrô Krasnye Vorota)

Baladas e nights

Não sou a melhor pessoa para dar dicas de boates, então vou ser bem subjetivo e falar do meu lugar preferido da cidade – bar/club Masterskaya. Não é uma boate, mas um bar com música e que vira pista de dança nas noites mais animadas. Sempre tá rolando um showzinho por lá e é um ambiente frequentado por um pessoal descolado de Moscou (além de estrangeiros, claro).

Eles também têm um restaurante bem legal com boa comida (e 24h!!). O site deles (em russo) http://www.mstrsk.ru/ tem a programação. Um pouquinho de boa vontade com o Google Translate e pronto!! Ah, fica pertinho da antiga sede da KGB, a polícia secreta soviética (metrô Lubyanka). Ótimo lugar pra começar uma noite russa, hein!

E se não gostar do Masterskaya, só seguir (andando mesmo) em direção à rua Bolshoy Zlatoustinskiy, n 7 ou perguntar onde fica o “Propaganda”. Todo mundo conhece. É a primeira boate de Moscou e todos todos todos os estrangeiros da cidade já passaram por aquela pista de dança. É lugar de flertar (pra falar em um tom fino). Ou seja, vá preparado/a. A entrada é grátis, mas tem a chatice russa do “face control”. Estrangeiros não costumam ter nenhum problema e mesmo que estejam “desarrumados”, vão entrar… Só falar inglês em alto em bom tom. Também acho patético, mas… O Propaganda é também um restaurante durante o dia. É muito bom, com preços acessíveis, por sinal. Recomendo pedir a “Salada Caesar”, a melhor da cidade. Realmente muito muito gostosa!! http://www.propagandamoscow.com/en/

Agenda cultural

Se você for checar a programação cultural de Moscou, nunca mais vai sair daqui. E tudo vale a pena. Compre mesmo sem saber russo, sem saber do que se trata (ok, exagerei um pouco, mas o nível é realmente alto!). O princpal site (em russo) para conferir o que está rolando na cidade é o http://www.afisha.ru/ Pessoalmente, gosto muito do Conservatório (http://www.mosconsv.ru/en/) e da Casa da Música (http://www.mmdm.ru/), ambos com página web  em inglês. O Conservatório tem uma ampla programação gratuita ou por preços muito baixos. E é ótimo!!! A acústica de uma das salas (Rakhmaninov) é sensacional.

Conservatório

Um site que também ajuda a buscar (em inglês) what’s going on em Moscou é o http://www.operaandballet.com/. Mas atenção. Cheque e depois busque a página do teatro em questão. Os preços do site são muitas vezes abusivos.

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Pelos arredores de Moscou

Este post é para aqueles sortudos que têm tempo para passar mais do que três dias na capital russa. Escolhi cinco passeios que podem ser feitos desde Moscou em um dia ou até em algumas horas (a ordem é do mais perto pro mais longe):

1) Kolomenskoye

Apesar de ter o metrô ao lado (estação Kolomenskaya) e estar a apenas 15 minutos do centro de Moscou, poucas pessoas vão a este que é o meu parque preferido da cidade. Além do parque ser lindo, com uma vista menos mainstream do rio Moscou, o local é patrimônio da Unesco e tem uma igreja que foi construída entre 1530 e 1532 e que sempre me deixa embasbacado – a igreja da Ascensão.  Este é o tipo de lugar que é bonito nas quatro estações e que não vai te decepcionar. Há outros templos na região e até mesmo um museu, mas apenas a caminhada já vale a pena. A entrada no parque é gratuita.

Kolomenskoye

2) Arkhangleskoe

Fica a 25 km do centro e é outro lugar para ver um rio Moscou diferente. Imperdível. Um palácio do século 18, um parque, muitos noivos fazendo fotos de casamento e alguns jovens fazendo churrasco (se for verão). Quer mais? Aberto de quarta a domingo, de 10h30 a 17h. Preço: 150 rublos.

Como chegar? Vá até o metrô Tushinskaya (linha roxa) e depois pegue o ônibus 549 ou 541; ou então a marshrutka 151 (“marshrutka” é van, kombi, perua – sim, eles também têm aqui). Não se esqueça de avisar onde você quer descer.

Arkhangelskoe

3) Abramtsevo

Se você gosta de arte e literatura, este é o seu lugar. Já escrevi um post sobre Abramtsevo no meu blog “Café com Kremlin”. Confira (fui no inverno e acho que você vai sentir frio só de olhar): http://cafecomkremlin.com/2012/03/11/abramtsevo-escapada-a-uma-colonia-de-artistas-do-seculo-xix-a-60km-de-moscou/

4) Sergiyev Posad

Este é um dos centros da fé ortodoxa russa. A cidade fica a apenas de 70km de Moscou e faz parte do famoso Anel Dourado (circuito de cidades a nordeste de Moscou que estão entre as mais antigas da Rússia). O monastério é o principal atrativo da cidade e vale a visita. Nem sou religioso, mas o local realmente deve ser visitado. Estamos falando de construções dos séculos 15, 16 e 18. A entrada é gratuita (para tirar fotos há que pagar 150 rublos) e abre todos os dias, de 10h a 18h. Como chegar? Vários trens saem o dia inteiro da estação Yaroslavsky, em Moscou (metrô Komsomolkaya). Preço: 132 rublos (R$ 8,75).

Sergyev Posad

Sergyev Posad2

5)  Suzdal

Suspiro… Suspiro… Suspiro. Outra cidade linda do Anel Dourado, a 220 km de Moscou. Vá direito para a rua Lenin e visite o Monastério Spaso-Evfimiev (300 rublos para a entrada completa). São vários museus e igrejas e você pode facilmente passar a metade do dia aqui. Eu acho mais legal até do que o Kremlin de Moscou.

E se você estiver pela Rússia em julho, tente ir ao Festival do Pepino de Suzdal, no dia 16 de julho. Dizem que o pepino da cidade é o melhor da Rússia central (risos para a piada pronta). A celebração consiste em um festival folclórico.

A melhor maneira de visitar Suzdal é pegar um trem até Vladimir (uma cidadezinha que também merece uma visitinha) e depois uma van (marshrutka) ou um ônibus até Suzdal. Passagens até Vladimir custam a partir de 300 rublos (R$ 20), da estação de trens Kursky (metrô Kurskaya), e a viagem dura entre 2 e 3 horas.É bom checar os preços e horários antes porque os valores podem ser muito mais altos, dependendo do trem que você pegar. Cheque no site que você já conhece: http://eng.rzd.ru/. De Vladimir, pegar um ônibus para Suzdal. São 30 minutos e custa 60 rublos (R$ 4).

Suzdal

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Moscou (3° dia): arquitetura, uma vista fabulosa, caminhadas e lembrancinhas

Infelizmente, a maioria das pessoas não passa mais do que três dias na capital russa. Sendo assim, hoje é dia de fechar com algumas coisas que eu considero essenciais para visitar em Moscou.

1) Universitet

Comece o dia indo direto para a estação de metrô Universitet, na linha vermelha ao sul. Como o nome já sugere, é o campus de uma universidade – a MGU, maior da Rússia. O que há de especial nela? Bem, entre 1947 e 1953, Stalin mandou construir sete edifícios sensacionais, em um estilo que mistura o barroco e o gótico. E o prédio da universidade é um deles (e para mim, o mais bonito). Em inglês, decidiram chamar de as Sete Irmãs (Seven Sisters), mas os moscovitas as chamam de “Os arranha-céus” ou “Os arranha-céus de Stalin” (Vysotki or Stalinskie Vysotki).

Saindo do metrô, você vai logo identificar o prédio. Se estiver com neblina, pergunte a algum estudante (dica: os que NÃO parecem russos provavelmente falam inglês). Em russo, MGU é pronunciado EM-GUÊ-U. Confira o mapinha que deixo no fim do post.

Universitet

2) Vorobyovy Gory

Este nome é o pesadelo dos turistas e viajantes. Anote em um papelzinho – Vorobyovy Gory ( Воробьёвы гoры). Daqui você tem uma das melhores vistas de Moscou (se o tempo estiver bom – boa sorte!!!). Você vê o rio Moscou, a City (centro financeiro), algumas das “sete irmãs” stalinistas, edifícios do centro de Moscou e até a Catedral Pussy Riot e algumas torres do Kremlin. Mesmo que seja no inverno, vale muito a pena a caminhada e a vista. E mesmo que não tenha vista de nada, vá. É um local interessante da cidade. Ah! E é onde os noivos vão fazer fotos depois do casório. Prepare-se para ver muitas muitas limosines (de diferentes cores). Ou você ainda não notou o quão deliciosamente kitsch (talvez brega?) a Rússia é?

Vorobyovy

3) Mosteiro Novodevichy e o cemitério

A vista estava linda, né? Agora vamos caminhar. De Vorobyovy Gory, desça o monte em direção ao rio e busque a ponte (onde também tem uma estação de metrô – sim, a estação é exatamente em cima do rio). Opção 1 (muito mais legal): atravessar a pontezinha caminhando e seguir pela margem do rio, à esquerda. São 2 km. Opção 2: pegar o metrô até a estação Sportivnaya (é uma estação somente) e depois andar um pouco. Mas já adianto que muita gente se perde quando sai do metrô Sportivnaya. Tem que perguntar a direção quando chegar. Acho que a opção 2 só vale se estiver frio. Se não, caminhe!!

Novodevichy é o meu lugar preferido em Moscou. Não sei por que gosto tanto deste monastério. Não importa se faz sol, chuva, se está nevando. É lindo. Muita gente diz que a inspiração para o Lago dos Cisnes, de Tchaikovsky, veio do lago adjacente ao monastério.

Já fiz um post sobre o local e lá tem tudo explicadinho, com valores, histórias curiosas do local etc: https://omundano.com/2012/07/26/convento-de-novodevichy-moscou/

Vale também visitar o cemitério, ao lado do mosteiro. A entrada é gratuita e funciona entre 9h e 18h. Quem está enterrado lá? Bulgakov, Chekhov, Gogol, Mayakovsky, Prokofiev, Stanislavsky, Eisenstein, Yeltsin…

Novodevichy

Sem título

Para terminar o passeio por Moscou, sei que a maioria das pessoas quer comprar lembrancinhas – vodka, lembranças soviéticas, postais, matryoshkas…

Para produtos locais, busque um mercadinho mesmo. Não é difícil achar o produto mais típico daqui – a vodka. Sempre me perguntam pelas marcas e eu costumo sugerir Beluga (800 rublos, R$ 53) para os bons amigos e patrões; e Putinka (200 rublos, R$ 13)  para aquela tia que só te dá caneta desde 1998 ou para a amiga que você quer causar inveja. Mas não sou um super entendedor de vodka. Quem sabe algum leitor nos recomende algo melhor. 🙂

Para comprar suvenir, vá para a rua Arbat. Eu odeio esta rua, mas é o melhor lugar no centro para comprar bugigangas. Desça no metrô Arbatskaya e suba toda a rua. Há zilhões de lojinhas. No final dela, você vai ver mais um daqueles sete edifícios stalinistas – o MID, Ministério das Relações Exteriores da Federação Russa.

Para os mochileiros mais radicais (ou para aqueles que queiram comprar muito chaveiro e muita matryoshka), sugiro o mercado de Izmaylovskaya. Fica um pouco afastado do centro, mas compensa pra quem quer levar muita muamba. Algumas coisas podem custar a metade do valor cobrado na rua Arbat. Ah! E o Museu da Vodka fica ali do lado do mercado. Não acho um museu super legal, mas pode ser uma ideia para que o trajeto não se resuma a compras. Metrô Partizanskaya.

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