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Gênova, Ligúria – Itália

A “Bella Italia” não decepciona. Qualquer cidadezinha encanta, qualquer trajeto é cênico, qualquer igrejinha surpreende quando entramos. Viajar pela Itália é sempre um exercício para o pescoço – para alcançar com a vista todos os detalhes desta ou daquela estátua – e para as cordais vocais – porque falar mais alto que os italianos não é fácil. Hora também de esquecer a dieta. Come-se e bebe-se bem. Muito bem.

Neste verão europeu, apesar das inconveniências da alta temporada do continente mais visitado do mundo, resolvi me aventurar pela região da Ligúria, na costa noroeste da Itália.

Com um pouco de organização, aproveitar esta região do Mediterrâneo pode ser mais barato do que muita gente imagina.

A Ligúria é a Riviera Italiana, continuação da aclamada Riviera Francesa (a Côte d’Azur). Menos glamurosa que a vizinha, a parte italiana da Riviera ganha em charme, autenticidade e carisma (tente sorrir na chique St. Tropez e você verá a reação dos franceses). A Itália respira lirismo e a impressão que a gente tem é que Roberto Begnini vai aparecer em alguma janela, de alguma viela, gritando “Buongiorno, principessa!”. Já que isso não acontece, perambular tomando um sorvete com o Mediterrâneo ao fundo já vale a viagem!

Como eu cheguei à Itália por Milão, decidi começar a viagem com Gênova, a capital da Ligúria (entre Milão e Gênova há trens quase a cada hora e o trajeto dura menos de duas horas. As passagens podem ser compradas por €9, 23 reais, no site http://www.trenitalia.it. Recomenda-se comprar com antecedência na alta temporada).

Muita gente fala mal de Gênova, mas eu amei. Foi uma grata surpresa no comecinho da aventura pela costa italiana. O centro histórico é considerado o maior da Europa e está muito bem conservado.

Há muitas opções de hotel e apesar de não ter reservado com antecedência, consegui quarto duplo por 60 euros (150 reais), com ar-condicionado. Como encontramos? Saindo da estação e caminhando 20m. Há muitíssima opção de acomodação e acho quase melhor checar no local, já que os preços e a qualidade do serviço variam muito também. Como a ideia era passar somente um dia em Gênova e sair no dia seguinte cedinho, escolhi um hotel do lado da estação de trem Piazza Principe, que também conta com linha de metrô.

Imperdível para um dia em Gênova:
1) comer focaccia di Recco

2) andar pelo centro histórico, tombado pela UNESCO em 2006. São dezenas de palácios dos séculos XVI e XVII, um do lado do outro. Para ver a lista completa, acesse o site inolli.com

3) Porto Antigo: perto do centro histórico; vale a pena caminhar pelo porto da cidade e saudar o Mediterrâneo. Guardando as proporções, a região lembra um pouco o Rio de Janeiro, com um viaduto pouco estético cortando a paisagem. O Aquário fica nesta parte da cidade.

4) Catedral de São Lourenço, o principal edifício religioso da cidade, gótico do início do século XII

5) Piazza Ferrari, com sua magnífica fonte (e passear pelas ruas próximas)

6) comer bruschetta di pesto (na verdade, eu pedia tudo com pesto, típico desta região da Itália)

7) depois desta andança e das comidinhas, a sugestão é pegar o funicular (plano inclinado) Zecca-Righi, inaugurado em 1895, que leva a um parque com vista panorâmica da cidade. Ótimo pro fim do dia. A passagem é comprada no próprio local, custa €1,50 (menos de R$4) e pode ser usada em qualquer transporte da cidade por 100 minutos (ok, taxis não estão incluídos – risos). O trajeto dura apenas 15 minutos e vale lembrar que a passagem só está válida depois de ter sido “marcada” nas maquininhas que ficam na entrada dos transportes. Ter o bilhete e não “marcá-lo”, validando-o, significa multa (se você tiver o azar de que um controlador te pare na Itália, algo muito raro).

Fotos de Michel Costa e Dmitry Kiselev

Se sobrar um tempinho durante o dia, vale tambem conferir a casa onde supostamente nasceu Cristóvão Colombo, aquele que “descobriu” a América. Tudo indica que ele na verdade seja da Córsega, que hoje pertence à Franca, mas a “Casa della Famiglia Colombo” merece uma visita. E é de graça.

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Viajar descongestiona o cérebro

“Viajar descongestiona o cérebro”

Escutei esta frase em 2007 de um senhor em Rondônia, enquanto atravessávamos um rio de balsa. O Peru de um lado, o Brasil do outro e ele intrigado, querendo descobrir o que alguém “do sul” estava fazendo ali, sem uma razão específica. Eu estava somente viajando. Ele parou, pensou um pouco e me disse estas palavras que me seguem em cada viagem e que dão o título ao meu primeiro post.

Mapas sempre me fascinaram. Lembro que ainda criança, com meus 10 anos, eu ligava para as companhias aéreas com a minha voz sem sinal de puberdade e perguntava o valor da passagem Rio-Paris ou Rio-NY. Meus pais, sempre muito caseiros, não queriam ir nem mesmo a Minas Gerais, nosso Estado vizinho, e eu inocentemente sonhava com aqueles lugares que via nos atlas.

Lembro também que eu girava o globo, como todas as crianças que viraram viajantes ou não, para saber o próximo destino da minha imaginação. “Camboja” hahahahaha Riam-se meus primos, achando que meus únicos interesses fossem a Velha Europa e a terra do Tio Sam. Engano deles. “Camboja? Por que não?” Lá ia eu aos livros buscar informação sobre o desconhecido país (naquela época ninguém tinha internet em casa e não havia wikipedia).

Meu irmão mais novo também sofria com os meus devaneios. “Quais são as maiores pontes do mundo?”, eu perguntava. “Não sei”, respondia meu irmão. “Então estude a página 132 da enciclopédia e você vai saber. Mais tarde eu vou te perguntar e espero que tenha memorizado tudo”. E assim fazíamos. Até hoje meu irmão sabe o nome das pontes (ou pelo menos daquelas que eram as maiores pontes do mundo em 1995)…

O tempo foi passando e a vontade de conhecer as tais pontes, ver as cores reais e sentir o cheiro do que eu só conhecia pelos livros ia aumentando.

Em 2003, tive a sorte de conhecer um jornalista na plataforma da estação de trem da Uerj, onde eu estudava Comunicação Social. Marco Fonseca havia morado muito tempo nos EUA e quando eu falei do meu sonho de sair do Brasil, ele foi simples e direto: “E por que você não sai então?”. Aquela pergunta, tão óbvia mas dita no momento certo da maneira certa, foi o que me levou a comprar um guia (da Europa) e começar a viajar naquelas páginas de maneira mais séria, fazendo planos e vendo como eu poderia concretizar aquele sonho.

Um ano mais tarde, depois de muita economia do dinheir(inh)o que eu recebia no estágio, dei o primeiro salto – embarquei para Londres de mala e cuia, para uma temporada de seis meses. Isso foi há oito anos e a temporada durou mais do que eu imaginava.

Nestes oito anos, tive a oportunidade de morar em cinco cidades – Londres, Lisboa, Madri, Moscou e Cairo. E uma pergunta (quase sempre inquisidora) me perseguia: “Você é jornalista, conhece quase 1/3 dos países do mundo e não tem um blog de viagem?”.

Sim, agora eu tenho um blog – O Mundano. Espero que os futuros posts possam apresentar aos leitores um pouquinho do maravilhoso que é este mundo, sem juízos de valores e com a mente aberta para novas culturas (por mais estranhas que às vezes elas possam parecer).

O Mundano não tem intenção de competir com os guias de viagem consagrados, que contam com grandes e ótimas equipes.

O Mundano tem como único objetivo aguçar a curiosidade do leitor e mostrar que o mundo é muito mais do que a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade.

O Mundano acredita que são as pessoas que fazem a beleza de um local e como há pessoas belas em todo o mundo, os quatro cantos do planeta merecem ser visitados.

Obviamente teremos dicas práticas (é por isso que você está lendo este blog, provavelmente), mas contarei muitas histórias e experiências também.

O Mundano tem este nome porque apesar de ser escrito por um carioca da gema, com seus princípios e limitações, pretende mostrar que quando colocamos a mochila nas contas, muitos dos nossos valores e tradições devem ser deixados em casa. Assim estaremos mais abertos a entender as novas culturas e hábitos.

O blog está sendo lançado hoje, 25 de julho, porque há exatos oito anos eu estava chegando em um país diferente pela primeira vez. E amanhã estou na estrada novamente, rumo a Kiev.

Olhando meus e-mails antigos, achei a primeira mensagem que enviei de Londres para os meus amigos no Brasil. É engraçado, quase infantil (eu tinha 19 anos), mas algumas coisas ainda são verdadeiras:
“Ah! No avião descobri que a gente pode enrolar em todas as línguas e que, no final das contas, se ninguém entender, você apenas sorri.”

Quanta verdade nesta primeira impressão!

Bem, depois de 60 países e territórios visitados, além das bandeiras, fotos, vistos e carimbos, eu me orgulho de estar colecionando pessoas e experiências. Parece brega, mas acreditem – o melhor do mundo são as pessoas.

Boa leitura e boa viagem!

Onde tudo começou - Londres 2004

Onde tudo começou – Londres 2004

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