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Pelos arredores de Moscou

Este post é para aqueles sortudos que têm tempo para passar mais do que três dias na capital russa. Escolhi cinco passeios que podem ser feitos desde Moscou em um dia ou até em algumas horas (a ordem é do mais perto pro mais longe):

1) Kolomenskoye

Apesar de ter o metrô ao lado (estação Kolomenskaya) e estar a apenas 15 minutos do centro de Moscou, poucas pessoas vão a este que é o meu parque preferido da cidade. Além do parque ser lindo, com uma vista menos mainstream do rio Moscou, o local é patrimônio da Unesco e tem uma igreja que foi construída entre 1530 e 1532 e que sempre me deixa embasbacado – a igreja da Ascensão.  Este é o tipo de lugar que é bonito nas quatro estações e que não vai te decepcionar. Há outros templos na região e até mesmo um museu, mas apenas a caminhada já vale a pena. A entrada no parque é gratuita.

Kolomenskoye

2) Arkhangleskoe

Fica a 25 km do centro e é outro lugar para ver um rio Moscou diferente. Imperdível. Um palácio do século 18, um parque, muitos noivos fazendo fotos de casamento e alguns jovens fazendo churrasco (se for verão). Quer mais? Aberto de quarta a domingo, de 10h30 a 17h. Preço: 150 rublos.

Como chegar? Vá até o metrô Tushinskaya (linha roxa) e depois pegue o ônibus 549 ou 541; ou então a marshrutka 151 (“marshrutka” é van, kombi, perua – sim, eles também têm aqui). Não se esqueça de avisar onde você quer descer.

Arkhangelskoe

3) Abramtsevo

Se você gosta de arte e literatura, este é o seu lugar. Já escrevi um post sobre Abramtsevo no meu blog “Café com Kremlin”. Confira (fui no inverno e acho que você vai sentir frio só de olhar): http://cafecomkremlin.com/2012/03/11/abramtsevo-escapada-a-uma-colonia-de-artistas-do-seculo-xix-a-60km-de-moscou/

4) Sergiyev Posad

Este é um dos centros da fé ortodoxa russa. A cidade fica a apenas de 70km de Moscou e faz parte do famoso Anel Dourado (circuito de cidades a nordeste de Moscou que estão entre as mais antigas da Rússia). O monastério é o principal atrativo da cidade e vale a visita. Nem sou religioso, mas o local realmente deve ser visitado. Estamos falando de construções dos séculos 15, 16 e 18. A entrada é gratuita (para tirar fotos há que pagar 150 rublos) e abre todos os dias, de 10h a 18h. Como chegar? Vários trens saem o dia inteiro da estação Yaroslavsky, em Moscou (metrô Komsomolkaya). Preço: 132 rublos (R$ 8,75).

Sergyev Posad

Sergyev Posad2

5)  Suzdal

Suspiro… Suspiro… Suspiro. Outra cidade linda do Anel Dourado, a 220 km de Moscou. Vá direito para a rua Lenin e visite o Monastério Spaso-Evfimiev (300 rublos para a entrada completa). São vários museus e igrejas e você pode facilmente passar a metade do dia aqui. Eu acho mais legal até do que o Kremlin de Moscou.

E se você estiver pela Rússia em julho, tente ir ao Festival do Pepino de Suzdal, no dia 16 de julho. Dizem que o pepino da cidade é o melhor da Rússia central (risos para a piada pronta). A celebração consiste em um festival folclórico.

A melhor maneira de visitar Suzdal é pegar um trem até Vladimir (uma cidadezinha que também merece uma visitinha) e depois uma van (marshrutka) ou um ônibus até Suzdal. Passagens até Vladimir custam a partir de 300 rublos (R$ 20), da estação de trens Kursky (metrô Kurskaya), e a viagem dura entre 2 e 3 horas.É bom checar os preços e horários antes porque os valores podem ser muito mais altos, dependendo do trem que você pegar. Cheque no site que você já conhece: http://eng.rzd.ru/. De Vladimir, pegar um ônibus para Suzdal. São 30 minutos e custa 60 rublos (R$ 4).

Suzdal

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Como viajar de trem pela Rússia

Qualquer mochileiro brasuca de primeira viagem sonha em cruzar a Europa Ocidental de trem, indo de Lisboa a Berlim com aqueles passes que dão direito a utilizar a malha ferroviária europeia. Qual não é a nossa surpresa (e decepção) quando nos deparamos com inúmeros “poréns” – os passes são caros, exigem reserva em determinados trajetos e estão longe de ser a maneira mais confortável para viajar pelo Velho Continente.

Cá entre nós: já faz tempo que é muito mais fácil e barato viajar pela Europa de avião com as companhias de low cost, que mudaram as noções de tempo, distância e valores do continente. Pr’aqueles que ainda veem charme no trem (eu, por exemplo), a Rússia e alguns dos países da ex-URSS rendem deliciosas viagens e histórias. O trem continua sendo o meio de transporte mais popular e econômico

Há alguns meses, fiz o trajeto Moscou-Kiev e por isso resolvi escrever este post. Para a maioria das pessoas, o trem em si já vale a viagem, mas é preciso um pouco de organização.

Primeira dúvida: como e onde comprar as passagens? Sabendo um pouco de russo (o alfabeto, pelo menos) ou tendo um pouco de paciência com o google translate, é possível comprar tudo pela internet, no site oficial das Ferrovias Russas – http://www.rzd.ru. Sei que todos vão ficar buscando a versão em inglês do site. E há!!!! O problema é que na página em inglês não aparece a opção de comprar. Bem, quem quiser saber um pouco sobre os trens russos, pode ser interessante… (risos).

*Atualização: agora o site RZD (www.rzd.ru) tem uma ótima versão em inglês. A vida ficou muito mais simples, viajantes!! Não gastem seus reais com agências on-line. 🙂

“Blogueiro, eu não quero perder meu tempo com o site em russo. O que faço?”. Bem, render-se às agências on-line que podem facilmente cobrar o dobro do valor do bilhete. Se dinheiro não for um problema, sugiro olhar o site http://www.waytorussia.net/Services/Traintickets.html

Os tickets começam a ser vendidos 45 dias antes da data de partida e para os que viajam na alta temporada (julho e agosto ou nas datas festivas), recomenda-se comprar com antecedência para escolher os melhores locais (longe do banheiro, por exemplo). Apesar de muitos trens, trajetos populares como Moscou-São Petersburgo podem esgotar rapidamente.

E quem não quer nem tentar se aventurar nas letrinhas do alfabeto cirílico e nem quer pagar uma fortuna às agências em inglês, o que fazer? Opção 1: sentar, chorar e viajar para a Argentina.  Opção 2: “comprar direto na estação lá na Rússia”, diria qualquer pessoa esperta. Sim, é possível, mas não espere encontrar NINGUÉM que saiba inglês para te ajudar. As pessoas que trabalham no caixa são geralmente velhinhas não muito fofas (as “babushki”) e a chance delas verem o seu desespero e não fazerem o mínimo esforço para ajudar é alto (eu diria que no nível de 99% de probabilidade). Caso você enrole no russo ou tenha um amigo na Rússia, será bem-vindo nas filas das estações do país (mas lembre-se que se for alta-temporada, não deixe de comprar com antecedência). Um outro aviso: seja paciente. Furar fila é quase um esporte olímpico na Rússia. Todo mundo tem “um trem saindo daqui a meia-hora” e os russos pacificamente (ou passivamente) provavelmente deixarão a pessoa passar. Não tente criar confusão e dar lição de moral. Se as pessoas fizerem cara feia pro fura-fila, faça também, reclame com a cabeça e nada mais. Reclamar (sozinho) é um esporte tão popular quanto furar fila, mas não passa disso. E a última dica: leve o seu passaporte, mesmo se for comprar trajetos domésticos.

A seguir, fotos de uma das estações de trem da capital da Rússia – Estação Kievskaya.

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Passado todo este blá, blá, blá (que você em breve me agradecerá), chegou a hora de escolher que passagens comprar, que classe no trem e assentos.

Na Rússia, há três tipos de classe, geralmente:

– primeira classe: compartimentos fechados com apenas duas camas, chamados SV (spalny vagon), мягкий (soft, macio) ou люкс (lux, luxo)

– segunda classe: compartimentos fechados com quatro camas, chamados купе (kupê)

– terceira classe: a classe é chamada плацкарт (плац, platzkart) e consiste em verdadeiros dormitórios sobre trilhos, com 54 camas por vagão (não há espaços fechados). Confira as fotos:

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Para vocês terem uma ideia dos valores, peguemos o exemplo do trajeto Moscou – São Petersburgo. Em baixa temporada, os preços variam entre 70 e 100 reais na terceira classe, 135 e 190 reais na segunda e 260 e 400 reais na primeira classe. Os preços no site aparecem somente em rublos. Nas estações não é aceito pagamento em dólar, mas é possível pagar com cartão.

A seguir, o exemplo de uma página do site oficial das Ferrovias Russas, simulando uma compra de passagem entre Moscou e São Petersburgo. Cada opção se refere a uma tipo de trem, com seu respectivo horário de saída (Отправление), duração da jornada (В пути) e chegadas (Прибытие). Mais à direita, o tipo de classe e o preço (место/стоимость). Acho que com este guia passo-a-passo, nem é tão difícil assim, não?

Moscow - Peter

Passagens compradas. Como entender o ticket? Bem, não sei se a intenção era complicar a vida de quem não sabe russo, mas a questão é que as passagens na Rússia trazem tanta informação que é impossível não se perder. Com a foto abaixo, aprenderemos a “ler o ticket”:

Изображение 602

– na primeira linha, temos o sublinhado que indica a data da viagem (26.07) e os números ao lado são o horário de partida (16.46). Na mesma linha, à direita, o número que eu envolvi mostra o número do vagão (10);

– na segunda linha, o nome da estação de onde sai o trem (neste caso “москва кив”) e o destino (“киев пасс”).

– na terceira linha, entre as flechas, aparece o número do assento (46 – “места” significa lugar)

– na antepenúltima linha, meu sobrenome em russo – ДА КОСТА (DA COSTA)

– na penúltima linha, o preço total da passagem, com todas as taxas.

Eu sempre viajo de Platzkart e acho super interessante. É relativamente confortável e muito provavelmente vão te oferecer vodka ou ovo cozido no caminho. Tem combinação melhor do que essa? Para viagens mais longas e/ou com pessoas idosas, o “kupe” seria mais recomendável. Aqui vale o bom senso, claro. Eu, por exemplo, não tenho problema com estas coisas burguesas de privacidade então posso viajar dois dias de platzkart sem problema. Mas não sei se a sua avó ou namorada curtiriam a aventura. Outro detalhe MUITO importante: os vagões da classe platzkart não têm ar-condicionado. E o verão na Rússia, diferentemente do que muita gente diz, não é como o inverno brasileiro. Faz calor e os trens não tem janelões, somente janelinhas minúsculas que evidentemente não dão conta do recado. Se o objetivo for economizar, vá de platzkart mesmo e tome isso como uma experiência pré-inferno. Pode ser divertido.

Dúvidas práticas:

– Roupa de cama: se for um trem noturno, diga pra caixa que você quer o ticket “c бельём” (s belyom – com roupa de cama). Mas a caixa provavelmente nem vai te perguntar. E como acho que você não vai se arriscar a tentar comprar na estação, fique atento ao site RZD pra marcar que você quer com roupa de cama. De qualquer maneira, caso esqueça, é possível comprar direto no trem. Custa 111 rublos (cuidado porque já tentaram me cobrar mais!).

– Idioma: aí vai da sorte de cada um. Mesmo nas grandes cidades, encontrar pessoas que falem inglês não é tão simples. Mas a língua de sinais e um sorriso largo brasileiro podem ajudar. Aprenda uma frase: “Я бразилец. Я не говорю по-русски”(Ya brazilets. Ya ne govoryu po-russki – Eu sou brasileiro. Eu não falo russo). Essas simples palavras podem mudar a sua viagem. Mesmo que o russo ou a russa não fale inglês, você vai escutar as referências óbvias – futebol, Carnaval, Pelé (às vezes sai um Maradona também), Isaura (a novela foi o primeiro programa estrangeiro exibido pela tv soviética) e o recente sucesso “Ai se eu te pego”. O conhecimento do russo médio a respeito do Brasil não vai muito além disso e se você tiver centavos de real e/ou cartões postais para dar de lembrancinha, pode ter certeza que uma dose de vodka você ganhará no caminho.

– Comida e bebida: alguns trens possuem vagão-restaurante, mas os russos viajando na terceira classe costumam levar comida de casa pra viagem. Você vai entender o sentido de “farofeiros” assim que pegar um trem no país. É peixe, pão, doce, batata, tudo. E para confirmar o estereótipo, álcool. Cuidado com o nível de empolgação porque os russos geralmente não ficam bêbados com dois golinhos de vodka. Nós, sim. Beba com moderação. Ah! É possível tomar chá na viagem (pagando alguns rublos como serviço de bordo ou de graça, se você levar o seu chá e sua xícara, já que água quente é gratuita).

– Mulheres viajando sozinhas: não há problemas. Basta manter o bom senso.

– Crianças pagam?: De 0 a 4 anos, viajam de graça. Entre 5 e 9 anos, pagam metade. A partir dos 10, pagam o valor inteiro

Espero que este post possa ajudar ao mochileiros na Rússia. E que ninguém desanime. Como eu disse antes, não importe a origem e o destino. Viajar de trem na Rússia é uma super experiência.

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Convento de Novodevichy – Moscou

Um dos meus lugares preferidos da capital russa, o Convento de Novodevichy (Новодевичий монастырь) é uma joia do Barroco Moscovita (também chamado de Barroco Naryshkin) e representa muito bem a mistura entre a arquitetura tradicional russa e alguns elementos do barroco da Europa Oriental e Central. Em 2004, foi proclamado Patrimônio Mundial pela UNESCO.


O convento foi construído numa das curvas do Rio Moscou e é um reduto de tranquilidade na maior cidade europeia.

Fundado em 1524 pelo Grão Príncipe Vasili III em comemoração à reconquista de Smolensk em 1514 (que estava sob domínio polonês-lituano), o convento foi reconstruído por Sofia, meia-irmã de Pedro O Grande, que o usou como uma segunda residência quando ela governou a Rússia como regente na década de 1680.

Quando Pedro tinha 17 anos, ele tirou Sofia do poder e a confinou dentro de Novodevichy. Diz a lenda que Pedro colocou alguns de seus partidários pendurados fora de sua janela para que Sofia não se esquecesse o que poderia acontecer com ela.

No muro exterior da “Torre Sofia”, há milhares de pedidos à tsariana. As pessoas dizem que os desejos escritos ali são cumpridos.  Na foto abaixo, um dos pedidos mais curiosos: “Quero perder a virgindade”. Será que funcionou?

Durante a guerra de 1812 (Napoleão, lembraram?), o mosteiro foi quase destruído. Em 1922, o mosteiro foi fechado e tornou-se um “museu da emancipação da mulher”. As freiras voltaram ao convento somente em 1994.

Bem, aproveitando que você veio até aqui, não deixe de visitar o cemitério que fica atrás do convento. Considerado o local de enterro de maior prestígio de Moscou, abriga as lápides de heróis literários, musicais e científicos da Rússia – e, mais recentemente, o primeiro presidente da Rússia moderna, Boris Yeltsin. Pegue um mapa na entrada para localizar as sepulturas de Tchekhov, Gogol, Bulgakov, Shostakovich, Eisenstein e Nikita Khrushchev, o único líder soviético que não foi enterrado no muro do Kremlin.

Depois de visitar Novodevichy, sugiro um passeio de mais ou menos duas horas ao longo do rio, caso não esteja muito frio. A direção? Recomendo o sentido Vorobyovy Gory-centro (tendo o Mosteiro nas suas costas e olhando para os arranha-céus do centro financeiro, basta seguir o rio à esquerda).

Como chegar?
Apesar de aparecer em quase todos os guias como um dos pontos turísticos mais importantes de Moscou, muitas pessoas não vão até lá porque o convento não fica exatamente no centro da cidade. Turistas preguiçosos. Da Praça Vermelha, são somente 16 minutos de metrô. Imperdível.

–> Metrô Sportivnaya (linha vermelha – sul). Entrar no último vagão vindo do centro de Moscou, sair pelas escadas mais próximas e, já na rua, virar à direita, seguindo a rua Ulitsa 10 Letya Oktyabrya. Fácil de achar! (ah! assim que sair do metrô, tem uma padaria francesa na esquina com docinhos deliciosos!! Comprem pro piquenique!!)

Horários Qua-Dom 10:00-17:00

Preço:

– entrada gratuita se quiser apenas andar pelo convento, sem visitar nenhuma das igrejas;

– bilhete combinado, incluindo igrejas e exposições –> 150 rublos (9 reais);

– cemitério: 50 rublos (3 reais).

Atenção!! Extremamente desaconselhado andar pelo lago durante o inverno. Não tem como saber a grossura da camada de gelo e atravessar o lago congelado, por mais tentador e interessante que pareça, pode ser muito perigoso.

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