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Yekaterimburgo: terra de Yéltsin e da execução dos Romanov

Yekaterimburgo é a grande metrópole dos montes Urais, a capital da região e a quarta maior cidade da Rússia. Já no trem, as pessoas vinham me dizendo “Yekaterimburgo nem parece uma cidade russa” ou “Yekaterimburgo é linda e organizada como a Europa”. Bem, como eu acho a Europa linda, organizada e bem chata, já fui me preparando para tal. À primeira vista, a cidade parece mais com uma espaçosa cidade europeia do que uma urbe russa, mas aos poucos a gente vai descobrindo a alma russa desta “Europa dos Urais”.

Assim que saí da estação de trem, avistei uma stolovaya (a boa e velha cantina soviética) e resolvi almoçar ali mesmo. Primeiro choque – o preço: 350 rublos (R$ 25) por um almoço que normalmente custa menos da metade nos estabelecimentos do tipo. Paguei resmungando e desfrutando de cada pedacinho do meu frango.

Dali, parti pela rua Sverdlova até a controversa Igreja do Sangue, construída com milhões e milhões rublos em 2003, em estilo bizantino. O templo foi feito para render graças à família Romanov, que foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior em 1981, com o título de “Novos Mártires”. No ano 2000, depois de muito debate, os Romanov (Tsar Nicolas II, Tsarina Alexandra e seus cinco filhos) foram finalmente canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa, com o título de “Portadores da Paixão” (strastoterpets). Um “Portador da Paixão” é uma pessoa que é morta de uma maneira parecida à de Jesus Cristo, mas diferentemente dos mártires, eles não são explicitamente mortos por sua fé, “mas a abraçam com piedade e amor a Deus”. Todos os “mártires” são “portadores da Paixão”, mas a recíproca não é verdadeira.

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A Igreja do Sangue de Yekaterimburgo é um tapa na cara de quem vê igrejas como ambientes de aproximação com o sagrado. Ali, a única aproximação que uma pessoa de bom senso sente é com o luxo. Ouro por todo o lado e uma infra-estrutura de deixar o bispo Macedo com inveja. Dizem até que o ícone mais caro da Rússia está ali dentro. Da igreja, segui para o lago da cidade. Como fazia calor, havia alguns jovens tocando música na margem, crianças patinando, casais tirando foto e/ou namorando. Os edifícios ao fundo dão até uma ideia de Manhattan russa.

Bem, seria uma Manhattan se logo depois de cruzar o lago (pela avenida Lênin) não nos deparássemos com ele, Lênin, como sempre onipresente nas principais praças russas. Em Yekaterimburgo, a estátua de Lênin leva um sobretudo e é o destaque da Praça Ano 1905, que conta ainda com um edifício stalinista que abriga a Prefeitura. Destaque para o relógio do prédio (fotos na galeria abaixo):

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Este já é o centrão de Yekaterimburgo, com a obviamente célebre avenida Lênin. Ande, ande e ande. Achei a cidade bem agradável, com bons restaurantes e bares. É um local pra gastar um pouquinho mais do que o que estamos acostumados na Rússia.

Depois de caminhar pela cidade inteira, resolvi ir para o meu albergue. Geralmente, escolho pelo preço e pelas recomendações. No caso de Ekaterimburgo, como eu estava sem tempo, busquei o mais barato e reservei. Ai, ai, se eu soubesse o que me esperava… Tinha visto no mapa que o albergue ficava perto da estação de trem e como a localização é sempre sempre um dos fatores fundamentais, nem pensei duas vezes. A questão é que o tal albergue ficava ao lado de uma estação secundária (Pervomayskaya), em uma vizinhança bem estranha. Quando entrei no albergue, notei que o local era na verdade uma espécie de mega dormitório barato para russos. Ninguém sabia nem um “Hi” de inglês. Na recepção, a dona falou pra filha: “Nossa. Do Brasil. Deve ser perto da Alemanha. Lembra aquele menino que veio há duas semanas?”. E a filha respondeu: “Ah, sim. Era outro ‘inglês'”. (muitos russos usam “inglês” quando querem se referir a “estrangeiro”). Sorri e fui pro quarto. Outros três homens assistiam a um jogo de futebol e bebiam cerveja. E assim foi até as tantas da madrugada. Não reclamei. Só pedi a São Putin que o tempo passasse rápido. De manhã, como não havia água quente, peguei minha mochila, levei pra estação de trem e deixei por lá. Decidi fazer uma day-trip naquele domingo e pegar um trem pra Sibéria naquela noite mesmo.

Ekat

Depois da noite tenebrosa, tirei o domingo para visitar Ganina Yama, a 15km de Yekaterimburgo. A cidade alberga o Monastério dos Mártires Sagrados, em honra à família Romanov. A Igreja Ortodoxa diz que este é o local onde se encontram os restos da família. No entanto, em 1998, os restos da família real foram enterrados na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersbugo. A Igreja Ortodoxa não reconhece o fato e mantém o complexo de Ganina Yama como ponto de peregrinação para os fiéis.

Como chegar?

O mais importante é saber os horários de volta, já que não há muito trens que param nesta estação.

Confira tudo no site: http://ekburg.tutu.ru/

Na parte de busca (Поиск по пунктам следования), coloque Екатеринбург Пасс. no espaço de Saída (Пункт отправления:) e Шувакиш  no espaço de Chegada (Пункт прибытия). Essa é a ida. Complete abaixo com a data. E depois, basta fazer o mesmo ao contrário para conferir os trens de volta. São 30 minutinhos de viagem e a passagem custa menos de 4 reais.

Assim que você chegar a Shuvakish, siga à direita (no sentido do trem). Você tem que caminhar pelo menos 30 minutos pra chegar ao local sagrado. Mesmo eu, que sou urbanóide e que estava sozinho, gostei da caminhada. Fotos do complexo religioso, do caminho e do interior de algumas igrejas em seguida:

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Na volta pra Yekaterimburgo, conheci no trem uma simpática senhora que queria me apresentar à filha dela: “Ela é como você. Só quer viajar e viajar. Tem 25 anos e ainda não se casou, acredita? Você é casado?”. Quando eu falei que não era casado, ela resolveu arregaçar as manguinhas pra arrumar um marido pra pobre filha. Inventei algumas desculpas e mudei de assunto.

Já na cidade, voltei pra praça da Prefeitura e de lá peguei o ônibus 14 para o ponto “Kontrolnaya”. Queria terminar o dia visitando o Cemitério Shirokorechenskoye, onde dezenas de membros da máfia estão enterrados. Pra quem tiver tempo, recomendo.

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